Carlos Baptista Junior narra pressões, incluindo a exclusão de um general antigolpista das reuniões do Ministério da Defesa no governo Bolsonaro
Por: Lucas Vasques, compartilhado de Fórum
Foto: - Tenente-brigadeiro Carlos Baptista Júnior - Foto: Reprodução/MREB-Brasil
Otenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro (PL), lançará, em setembro, o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, pela Autêntica Editora.
A obra promete revelar bastidores e reconstrói a crise que atravessou as Forças Armadas entre 2021 e a posse do presidente Lula (PT), em janeiro de 2023, detalhando reuniões, pressões e assédios que antecederam a tentativa de golpe.
Baptista Junior relata ter questionado o então ministro da Defesa sobre manobras internas que isolaram um general contrário à ruptura institucional, sem obter resposta satisfatória.
O tenente-brigadeiro chega ao debate público com uma narrativa em primeira pessoa sobre um dos períodos mais tensos da história recente das Forças Armadas brasileiras, quando pressões por uma ruptura institucional se intensificaram dentro do alto comando militar.
Na obra, Baptista Junior afirma ter sofrido pressões diretas e presenciado episódios que antecederam a tentativa de golpe após as eleições presidenciais de 2022, de acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, em O Globo.
Ao reconstruir esse período, o ex-comandante da Aeronáutica apresenta sua versão dos acontecimentos e reafirma o posicionamento que, segundo ele, manteve ao longo de todo o seu comando: contrário a qualquer ruptura com a ordem constitucional.
Pressão golpista
Um dos episódios centrais do livro envolve reuniões de “análise de conjuntura” realizadas no Ministério da Defesa. Segundo Baptista Junior, esses encontros ganharam intensidade inédita com a aproximação do pleito de 2022 e passaram a incorporar cada vez mais o cenário político, elevando a tensão entre os comandantes das Forças Armadas.
Em determinado momento, o general Laerte Santos, então chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e defensor da manutenção da ordem constitucional, simplesmente deixou de ser convocado para as reuniões.
Baptista Junior diz ter questionado o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, sobre a exclusão, mas não recebeu uma explicação objetiva. Nogueira foi condenado pelo STF a 19 anos de prisão no julgamento do golpe.
O desfecho do episódio é revelador: Baptista Junior soube posteriormente que o afastamento de Laerte Santos havia sido justificado ao próprio general como uma “solicitação dos comandantes de Força”.
Tanto o ex-comandante da Aeronáutica quanto o então comandante do Exército, porém, negam ter feito qualquer pedido nesse sentido, expondo uma versão fabricada para isolar um militar antigolpista das discussões internas.
Contexto e impacto
A publicação chega em meio à continuidade das investigações e dos julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos atos antidemocráticos de 2022.
Nesse cenário, o relato de um ex-comandante com acesso direto às reuniões do Ministério da Defesa ganha peso documental: Baptista Junior não fala de fora, mas de dentro.
No livro, o brigadeiro reafirma que se posicionou contra qualquer ruptura institucional durante seu comando e apresenta sua versão dos acontecimentos que marcaram os últimos meses do governo Bolsonaro.







