Mostras serão inauguradas nesta terça-feira, 18, na sede da Fundação, em Porto Alegre, reunindo fotografia, inteligência artificial, rios e video. Às 17h, tem conversa com os artistas
Fivrs 2026 – Diáfanos – Pablo Vieira
Foto: Pablo Vieira
Entram em cartaz as mostras Ecologias como Fabulações, da artista visual Andréa Brächer, Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar (Mario Quintana) – Amazônia/Rio Grande do Sul, da fotógrafa Dulce Helfer, e a instalação Nem todas as Palavras do mundo seriam suficientes, do artista visual Jordi Tasso.
Também será aberta a sétima edição do Festival Internacional de Videodança do RS (Fivrs), uma parceria da Ecarta com o curso de Dança da Universidade Federal de Rio Grande (UFPel), com projeções em três locais: na sede da Ecarta, no canal do Festival no YouTube e no Museu do Paço Municipal de Porto Alegre.
Com entrada franca, a programação permanece aberta à visitação até 20 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h, inclusive nos feriados, com entrada franca
Entre a inteligência artificial e a fotografia histórica
Em Ecologias como Fabulações, Andréa Brächer apresenta um novo momento de sua trajetória ao utilizar, pela primeira vez, imagens generativas produzidas com Inteligência Artificial (IA). A tecnologia, porém, não substitui a autoria: as imagens são selecionadas, transformadas e submetidas a procedimentos artesanais pela artista.
A curadora é Niura Legramante Ribeiro, professora associada do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e pesquisadora de fotografia e arte contemporânea.
A exposição reúne 20 fotografias em arte generativa e cianotipia sobre papel, dando continuidade à pesquisa, iniciada em 2019, quem sobre florestas como espaços de fabulação. Animais, casas, jardins e atmosferas de mistério criam paisagens que transitam entre o real e o imaginado.
Brächer interfere manualmente nas obras com cianotipia, processo fotográfico histórico criado em 1842, e tonalização com pigmento de erva-mate. O resultado aproxima uma tecnologia contemporânea de um procedimento fotográfico histórico, criando imagens de luminosidade etérea e forte dimensão poética.
“Esse trabalho foi um desafio colocando juntas duas tecnologias, uma antiga (o processo fotográfico histórico da cianotipia) e uma nova (o uso de Inteligência Artificial). Durante o processo houve muitos aprendizados de minha parte”, afirma a artista.

Trabalho de Andréa Brächer, da mostra Ecologias como Fabulações
Foto: Andréa Bracher
As águas que aproximam Norte e Sul
A exposição de Dulce Helfer, Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar (Mario Quintana) – Amazônia/Rio Grande do Sul, propõe uma viagem pelas águas brasileiras.
A fotógrafa reúne imagens do Rio Solimões e de rios do Rio Grande do Sul, aproximando paisagens geograficamente distantes por meio da fotografia. O conjunto inclui imagens em preto e branco e em cor, impressas em diferentes suportes, e duas obras inéditas.
A mostra também incorpora o som das águas, criando uma experiência imersiva e sensorial. A inspiração vem do poeta Mario Quintana, que dá nome à exposição e já havia definido o trabalho da fotógrafa como imagens dotadas de “vida interior”.
Com 27 anos de atuação no fotojornalismo de Zero Hora, oito anos na Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, dezenas de exposições e cerca de 30 prêmios, Dulce Helfer construiu uma trajetória marcada também pela fotografia artística e por projetos ligados à literatura, aos direitos humanos, ao meio ambiente e à cultura brasileira.
“As águas não conhecem fronteiras. Elas nos ensinam a generosidade de servir ao planeta e doar a todos vida e saúde”, afirma Dulce, ao refletir sobre a relação entre as águas da Amazônia e do Sul do Brasil.

Fotografia que compõe a mostra de Dulce helfer
Foto: Dulce Helfer
Arte, palavras e as fronteiras entre verdade e mentira
Em Nem todas as Palavras do mundo seriam suficientes, o artista, curador e produtor cultural Jordi Tasso apresenta um poema neoconcreto relacional que se materializa como instalação na sala do Projeto Potência. É a primeira das cinco exposições selecionadas por edital para este espaço, dedicado à arte contemporânea.
A obra investiga os limites entre mentira, verdade, escrita e história, colocando em questão as narrativas produzidas por artistas, curadores, instituições e pelo próprio público. A instalação reúne duas fotografias provenientes de uma intervenção urbana, uma escultura e dois objetos.
Bacharel em Artes Visuais pela Ufrgs, Tasso atua sobre questões do próprio sistema da arte por meio de linguagens como vídeo, pintura, instalação, cerâmica e performance. Já participou de mais de 50 mostras coletivas no Brasil e no exterior.
“Este poema/instalação representa uma volta ao circuito expositivo como artista, depois de um grande hiato”, pontua Tasso.

Criação Work-In-POA, de Jordi Tasso
Foto: Jordi Tasso
Videodança amplia a experiência
A programação também recebe a sétima edição do Festival Internacional de Videodança do RS (Fivrs), que apresenta trabalhos selecionados entre 249 inscrições de 22 países e 23 estados brasileiros. No espaço Professor Artista/Artista Professor será apresentada a linha de tempo que mostra o a expansão e representatividade desta modalidade no mundo.
Realizada em parceria entre a Ufpel e a Fundação Ecarta, a mostra constrói uma cartografia da videodança contemporânea a partir de diferentes linguagens, tecnologias, corporalidades, identidades, geografias e culturas. As obras exploram o corpo como imagem e movimento e abordam questões sociais, culturais, econômicas, ambientais e políticas do presente.
A exibição dos trabalhos será feita presencialmente na galeria de arte do Museu do Paço Municipal de Porto Alegre e na página do festival no youtube.
Para as diretoras do Fivrs, Carmen Hoffmann e Rosângela Fachel, a videodança tem potência para questionar imaginários, deslocar perspectivas e projetar novos futuros.
Serviço
Galeria Ecarta – novas exposições e Fivrs 2026
Abertura: 18 de agosto, terça-feira, 19h
Conversa com artistas e curadores: a partir das 17h
Visitação: até 20 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h, inclusive feriados
Entrada: gratuita
Local: Fundação Ecarta – Avenida João Pessoa, 943 -Porto Alegre
As videodanças têm projeção presencial no Museu do Paço Municipal (Praça Montevideu – Centro – Porto Alegre/RS), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
De forma online na página do Fivrs no Youtube







