Estado de Minas: Kucinski transforma dramas pessoais em ficção em ‘O Exterminador de Cães’

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Resenha de Sérgio Tavares analisa obra que reúne 33 textos breves em que o autor explora temas como a ditadura militar, culpa, solidão, envelhecimento e conflitos da vida cotidiana

Compartilhado de Alameda Casa Editorial




Em resenha recentemente publicada no jornal Estado de Minas, o jornalista e crítico literário Sérgio Tavares analisa o novo livro de contos de Bernardo KucinskiO exterminador de cães. O texto destaca o retorno do escritor ao gênero das narrativas breves e aponta como o autor transforma experiências pessoais, memórias e dramas históricos em matéria ficcional.

Segundo Tavares, Kucinski — que assina seus livros como B. Kucinski — demonstra domínio da forma curta desde K., romance considerado pelo resenhista um dos grandes livros brasileiros do século XXI. A obra, que acompanha a busca de um pai pela filha desaparecida durante a ditadura militar, seria construída a partir de fragmentos próximos da estrutura do conto. O crítico lembra ainda que o autor recebeu o Prêmio Biblioteca Nacional por Você vai voltar pra mim, livro anterior de narrativas curtas.

Em O exterminador de cães, Kucinski reúne 33 textos breves nos quais explora temas como a ditadura militar, culpa, solidão, envelhecimento e conflitos da vida contemporânea. Para Tavares, o escritor reafirma características marcantes de sua produção, como a precisão da linguagem, a construção elíptica e a capacidade de revelar, por trás de uma história aparente, outros sentidos ocultos.

A resenha destaca que parte significativa do livro retoma a memória da repressão política brasileira. As narrativas incorporam experiências de quem viveu os anos de autoritarismo, transformando lembranças familiares e registros pessoais em ficção. Em muitos momentos, observa Tavares, a escrita de Kucinski aproxima-se do depoimento, ao recuperar episódios marcados pela violência institucional e pelo sofrimento de militantes e seus familiares.

Entre os contos analisados estão histórias de presos políticos, militantes clandestinos e personagens afetados pela perseguição do regime. O resenhista ressalta que o autor combina o registro histórico com elementos de absurdo e estranhamento, criando situações em que o horror da ditadura aparece associado a uma atmosfera próxima do universo kafkiano.

O conto que dá título ao livro também recebe destaque. Nele, um idoso revoltado com a valorização dos animais de estimação na sociedade contemporânea passa a perseguir cães, em uma narrativa que, segundo Tavares, funciona como metáfora para outros ressentimentos e tensões sociais. A obra também apresenta histórias ligadas à memória pessoal do autor e a episódios da história política brasileira, como o relato sobre um cão associado à Guerrilha do Araguaia.

Na parte final do livro, de acordo com a resenha publicada pelo Estado de Minas, Kucinski amplia a variedade de temas e estilos, incorporando humor, elementos do conto popular e situações envolvendo culpa, descobertas, exílio e solidão. Para Sérgio Tavares, próximo dos 90 anos, o escritor revisita seu arquivo de histórias e entrega uma obra que reafirma sua capacidade de transformar memória e experiência em literatura.

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