José Vitor Ferro aponta que transparência sobre enriquecimento de urânio poderia arrefecer conflito
Por José Bernardes e Maria Teresa Cruz, compartilhado de BdF

O tensionamento entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz torna cada vez mais difícil uma solução definitiva para o conflito. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, José Vitor Ferro, doutorando em Ciência Política pela Universitat Pompeu Fabra e pesquisador do Institut Barcelona Estudis Internacionals (Ibei), afirma que os dois lados têm dificultado a chegada de algum consenso, mas que, sem dúvida, a ação dos EUA no final de semana foi condenável e representa um retrocesso.
“O passo que foi dado pelos EUA ontem foi cruzar uma linha vermelha. De fato, isso não tinha ocorrido antes. A gente teve aquele ataque na escola contra o Irã, mas um ataque próximo ao Golfo Pérsico, isso não tinha ocorrido. Isso escala as tensões em um nível que as negociação serão prejudicadas”, avalia.
Ferro defende que, neste momento, mais do que nunca, outros atores serão fundamentais para algum tipo de negociação. “Neste momento, vai depender muito de como os parceiros regionais no conflito e os países diretamente interessados vão conseguir mediar essa situação”, analisa.
O especialista critica a forma com que o governo Trump tem lidado com a política externa e faz uma comparação até mesmo com sua gestão anterior, que, segundo ele, era mais profissional do que a atual. “O que está acontecendo agora é uma espécie de aparelhamento da política interna dos EUA. Se o Trump tivesse dado ouvidos à diplomacia mais profissional dos EUA provavelmente esse ataque nem teria acontecido”, afirma.
Ferro também comenta sobre a polêmica em torno do enriquecimento de urânio e a relação com uma possível bomba atômica. Ele lembra que os EUA se retiraram do acordo nuclear que tinham firmado com o Irã ainda no governo de Barack Obama. “Os relatórios apontavam que o Irã estava fazendo uso civil do enriquecimento de urânio. E agora os relatórios não são conclusivos de que o Irã realmente estaria fazendo esse enriquecimento para uma bomba nuclear. Faltam provas. O ideal seria ter um arranjo nuclear para o uso de níveis de urânio mais baixos”, considera.







