A tese de patrocínio privado derrete: enquanto a PGR enterra a delação de Vorcaro e faltam notas para justificar R$ 75 milhões da cinebiografia, a tentativa do senador de usar a Casa Branca como vitrine eleitoral expõe o tamanho do escândalo no exterior.
Por Diego Feijó de Abreu, compartilhado de Fórum
Foto: - Donald Trump no encontro com Flávio Bolsonaro, o irmão Eduardo, e Paulo Figueiredo (TruthSocial / Donald Trump)
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou usar a agenda com o governo de Donald Trump como escudo eleitoral, mas a estratégia expôs o escândalo do Banco Master no exterior. Integrantes da Casa Branca monitoram a teia financeira que liga o senador a Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, segundo revelou a colunista Bela Megale do jornal O Globo.
O parlamentar viajou a Washington em maio com o pretexto de capitalizar a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos EUA. A articulação buscava ofuscar a crise doméstica, mas o efeito foi inverso. O pré-candidato levou ao centro do poder americano um passivo envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, remessas obscuras e a cinebiografia de Jair Bolsonaro batizada de Dark Horse.
Delação rejeitada e tese de patrocínio esvaziada
O monitoramento americano coincide com o agravamento do cerco jurídico no Brasil. Nesta segunda-feira (15), a Procuradoria-Geral da República rejeitou a segunda tentativa de delação premiada de Vorcaro. A decisão referendou a postura da Polícia Federal, que viu na proposta uma manobra sem fatos novos, desenhada apenas para blindar a narrativa de que as transferências milionárias seriam um simples patrocínio privado.
A tese de financiamento lícito já vinha sofrendo reveses desde que Flávio confirmou ter pedido recursos ao banqueiro após o vazamento de áudios pelo Intercept Brasil. As mensagens indicavam um plano de repasses de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época), com US$ 10,6 milhões já movimentados até maio de 2025. O rastro do dinheiro inclui uma remessa de US$ 2 milhões para um fundo gerido pelo advogado Paulo Calixto, figura intimamente ligada a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O buraco de R$ 75,1 milhões sem notas fiscais
A narrativa do clã Bolsonaro sofreu um novo abalo estrutural Documentos revelados com exclusividade pela reportagem mostram que a produtora Go UP Entertainment, responsável pela obra cinematográfica, declarou gastos de ao menos R$ 75,1 milhões com o Dark Horse. O detalhe crucial é a absoluta falta de notas fiscais ou recibos que comprovem essas despesas no material pericial contratado pela própria empresa.
Sem lastro contábil e com a delação do ex-dono do Banco Master afundada, o senador carioca enfrenta uma tempestade perfeita a poucas semanas da convenção nacional do PL. O impacto já corrói sua viabilidade eleitoral, um desgaste quantificado na queda de apoio em redutos bolsonaristas registrada pela pesquisa Quaest.
A tentativa de importar prestígio da Casa Branca falhou em sua missão principal. A foto ao lado de republicanos não responde à pergunta central do escândalo: qual a real origem e o verdadeiro destino dos milhões que irrigaram o projeto político travestido de cinema da família Bolsonaro?





