Nota de solidariedade e pedido de completa apuração e justiça da morte do Bebê numa creche terceirizada da Prefeitura de São Paulo
Manifestamos nossa profunda dor, indignação e irrestrita solidariedade à família de Abdoulaye Dieng, de apenas 1 ano e 4 meses, tragicamente morto no Centro de Educação Infantil (CEI) Luz do Brás, na região central de São Paulo. O CEI possui administração privada e recebe recursos da Prefeitura de São Paulo.
Brasileiro, filho de migrantes senegaleses radicados em São Paulo, no Brasil, que trabalham na região do Brás, o bebê foi vítima de um episódio marcado por graves indícios de negligência: morreu asfixiado após prender a cabeça no vão de uma grade dentro da unidade. Imagens confirmam que a criança permaneceu sem a devida atenção, monitoramento e supervisão, sendo socorrida tardiamente. Segundo relatos da imprensa, foram mais de 6 minutos sem qualquer supervisão no CEI terceirizado.
A privatização dos serviços públicos, que busca o lucro de empresas com “fachada social”, é incompatível com a educação de qualidade. Somente o serviço público, com trabalhadores(as) concursados(as) e qualificados(as), e com orçamento público e transparente, é capaz de oferecer educação e cuidado para as nossas crianças.
A sucessão de falhas no atendimento e ainda a falta de treinamento e capacitação em primeiros socorros e enfrentamento de emergências nas instituições de cuidado e ensino na capital paulista; que incluiu o não acionamento imediato de serviços de emergência (como o SAMU ou o Corpo de Bombeiros), evidencia a gravidade do ocorrido. O caso, registrado como homicídio culposo pela Polícia Civil, expõe problemas estruturais apontados pelo próprio Tribunal de Contas do Município (TCM-SP), como a sobrecarga de trabalho devido ao alto número de crianças por Professor de Educação Infantil nas creches conveniadas da Prefeitura de São Paulo.
Diante de tamanha dor vivenciada por Ibrahima Dieng e sua família:
• Exigimos rápida e rigorosa apuração dos fatos pelas autoridades competentes para a responsabilização criminal e administrativa de todos os envolvidos;
• Cobramos providências imediatas da Prefeitura de São Paulo, a começar pela rescisão do convênio com essa creche e pela assunção da gestão pública integral deste Centro de Educação Infantil por parte da Secretaria Municipal de Educação;
• Exigimos que a família receba assistência psicológica e social por parte da Prefeitura de São Paulo;
• Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da infância e dos direitos da comunidade de migrantes que vive e trabalha em nossa cidade.
Nenhuma família deveria enviar seu filho à creche e não tê-lo de volta.
Justiça por Abdoulaye Dieng!
[ CONTATOS E INFORMAÇÕES: 11 99245-0300 – Babi ]







