Lula venceu. O fascismo não morreu. A luta continua

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A vitória merece ser celebrada. A disputa histórica contra o fascismo, porém, permanece longe de terminar. Muitas outras batalhas estão pela frente

Por Oscar de Barros, compartilhado de Pensar PIauai

Lula venceu. O fascismo não morreu. A luta continua




Lula venceu a eleição de 2026. A sociedade brasileira impôs uma derrota ao projeto de extrema direita representado por Flávio Bolsonaro e assegurou ao presidente um quarto mandato. Foi uma vitória histórica, construída por milhões de brasileiros que compreenderam o tamanho do perigo. Mas vencer a eleição não significa encerrar a luta. O fascismo não morreu nas urnas.

Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos, mas o autoritarismo que sustenta sua trajetória continua presente no Brasil. Está nas redes de desinformação, na intolerância, na perseguição a adversários e na recusa em reconhecer como legítimos os direitos de quem pensa diferente. A saída do candidato derrotado não dissolve os interesses nem desmobiliza as forças que o levaram à disputa presidencial.

A família Bolsonaro não entregará o osso facilmente. Há poder, dinheiro, influência e proteção em jogo. Seu esforço será preservar o comando da direita, manter a fidelidade de sua base e transformar qualquer dificuldade do novo governo em combustível para a própria sobrevivência política.

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Ao mesmo tempo, haverá disputa por esse comando. Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira têm ambições próprias. Michelle, que carrega o sobrenome sem pertencer à linhagem sanguínea dos Bolsonaro, também poderá buscar protagonismo. Esses movimentos não representam, por si, uma ruptura com o bolsonarismo. A disputa pode ser pela herança, pelos eleitores e pelo controle da mesma estrutura de poder.

Seria um erro esperar que essa concorrência desse algum descanso a Lula. Com uma Câmara de maioria à direita e um Senado conservador, o governo terá pela frente forças capazes de bloquear propostas, impor concessões e produzir desgaste permanente. A perspectiva é de pressão desde o primeiro dia.

O cerco também virá de fora do Congresso. A mídia comercial brasileira tem um histórico de defesa dos interesses das elites, frequentemente apresentados como se fossem os interesses de toda a população. Não há razão para esperar que abandone essa posição nos próximos anos.

Lula continuará enfrentando o poder financeiro associado à Faria Lima, a extrema direita internacional de Donald Trump, o poder das big techs e setores do empresariado que colocam seus negócios acima dos direitos sociais. Nesse campo, há quem trate salários como obstáculo, proteção ambiental como inconveniente e o Estado como instrumento de enriquecimento privado. Há também quem atravesse a fronteira da legalidade para ampliar seus ganhos.

Diante desse cenário, a sociedade brasileira precisa preservar a compreensão política que tornou possível a vitória. O movimento que ocupou ruas, mobilizou universidades, atravessou cidades, organizou viagens e enfrentou o medo para derrotar Flávio Bolsonaro não pode se desfazer depois da comemoração. Sua força será necessária para defender a democracia e cobrar as mudanças pelas quais votou.

Mas essa mobilização não se sustentará apenas pelo ideal ou pela lembrança do perigo. Lula terá que dar sinais evidentes de que deseja caminhar com essa sociedade. Apoio popular exige diálogo, participação e resultados. Quem ajudou a vencer precisa encontrar espaço para influenciar os rumos do governo.

Os sinais começarão na composição da equipe. As escolhas para os ministérios revelarão quais interesses terão voz, quais compromissos serão preservados e quanto espaço será reservado às forças sociais que sustentaram a vitória. A governabilidade precisa servir ao programa aprovado nas urnas.

O mesmo cuidado deverá orientar a sucessão. A escolha de quem dará continuidade ao projeto não pode ser reduzida a uma negociação entre dirigentes, conveniências partidárias e exigências do mercado. Precisará considerar a capacidade de mobilizar a sociedade, enfrentar desigualdades e defender a soberania nacional.

Acima de tudo, será a forma de governar que definirá a relação entre Lula e sua base social. O Lula 4 terá que produzir melhorias concretas na vida da população, enfrentar privilégios e manter abertos os canais de participação. Cada promessa abandonada e cada concessão que sacrificar direitos poderão alimentar a desilusão da qual a extrema direita se aproveita.

Há uma semana, em 25 de outubro, Lula venceu mais uma das grandes batalhas de sua trajetória. A vitória merece ser celebrada. A disputa histórica contra o fascismo, porém, permanece longe de terminar. Muitas outras batalhas estão pela frente.

O PensarPiauí estará atento ao desenrolar dessa história: na defesa da democracia, na cobrança dos compromissos assumidos e ao lado da sociedade que se mobilizou para impedir mais um avanço autoritário sobre o Brasil.

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