Nem mártir nem santa: o aprendizado que advém da maternidade

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 Hoje, segundo domingo do mês de maio, é comemorado o #diadasmães .

Compartilhado de Adriana do Amaral




Foto: álbum de família

As publicações nas mídias digitais dividem-se entre reivindicações a homenagens.

Eu sou mãe de dois: um homem e uma mulher. 

Nenhum dos dois estarão comigo na mesa do almoço, mas, honestamente, que bom: eles têm a vida deles. Não há amarras, obrigações entre nós, e sim uma relação amorosa, respeitosa e de troca de afetos e vivências.

Ser mãe pode ser uma opção, ou não; um sonho realizado, ou não; uma obrigação, ou não.

Um legado ou um castigo.

Para mim, é uma aventura inspiradora.

A minha experiência com a maternidade aconteceu no tempo certo. Eu não era tão jovem para época, porém jovem para os dias atuais: Tornei-me mãe aos 28 anos, a distância entre mim e minha filha caçula é de 30 anos. Sendo a quarta filha, minha mãe me pariu aos 28 anos.

Eu sou a menininha na foto do retrato que ilustra este texto.

Sem medo de ser polêmica, a maternidade me faz uma pessoa melhor

Mas, até hoje, é um desafio. Afinal, ser mãe é um aprendizado constante,  tanto para as mães como para os filhos.

Nasci e fui criada para ser mãe? Não. Aprendi a sê-lo!

Na minha época, eu não tinha rede de apoio, mas sempre tive um companheiro atuante, pai dos nossos filhos, o que contribui nessa nossa caminhada.

Eu trabalhava fora, não existia creche, a escolinha era cara – quase o meu salário-. Éramos apenas nós, não havia uma aldeia protetiva, mas ela estava lá, no inconsciente coletivo.

As nossas experiências nesta pequena família eram compartilhadas, e as lições aprendidas no dia a dia. Cada fase, sucessivamente, até agora.

Sim, mesmo com os nossos (agora quatro) filhos adultos, e a novidade de ter me tornado avó, enfrentamos desafios outros, pois a vida segue o seu curso com experiências diárias.

Uma mãe meio fora dos padrões, mas que contém todos os padrões

Hoje discute-me muito o (não) valor do cuidado, o preço da maternidade, como somos ferramenta reprodutiva e de manutenção do sistema capitalista exploratória.

Sim, a visão crítica é importante.  

Acredito, no entanto, que nós, mães, pais, filhos – gestados ou não em nossos corpos – também somos agentes de transformação social. 

Sentimos, logo existimos; logo atravessamos juntos ou separados. 

Para mim, ter me tornado mãe gerou transformações na minha vida, muito mais do que a carreira, os estudos, os títulos, os relacionamentos interpessoais e as viagens.

Uma novidade que nasceu do amor, sortuda que sou, mas também de quebras de paradigmas numa época de conservadorismo.

Ser mãe é presença, mas também ausência.

É vivenciar conquistas de relações horizontalizadas.

O melhor de mim

Sem medo de ser mal interpretada, afirmo que nem toda a mãe é uma boa mãe.  Eu faço o que posso…

Há muita dor, rancor e mágoas nesse processo de partilha;

nem sempre acertamos, e é impossível não carregar certa medida de culpa.

Por maior que seja o amor e o respeito que sinto por meus filhos e neta sou uma pessoa que erra, que pode machucar, mas que aprendeu a aprender.

Meus filhos me ensinam mais do que eu a eles, e se multiplicaram com os seus amores.

Já a nossa neta… Rosa é puro amor e diversão. 

PS: eu dedico esta reflexão para uma mulher que desejou ser mãe, e morreu tentando. Uma profissional, mulher trabalhadora, que teve sua memória profanada por uma notícia desinfeliz. Um ataque misógino a uma pessoa que não pode se defender. 

À juíza que permaneceu filha: 

Mariana Francisco Ferreira.

#BastaFolhadeSPaulo

#necromisoginia

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