Por Lourenço Paulillo, poeta e cronista
Desde que nos entendemos por gente, nos deparamos com mistérios que atiçam nossa curiosidade. Nem sonhávamos com as alternativas tão acessíveis de hoje, como a internet.
Tínhamos em casa a coleção de livros Thesouro da Juventude, uma fonte encantada da qual bebíamos, na qual mergulhávamos em busca de respostas.
Era o Livro dos Porquês:
Qual a maior profundidade do mar?
Rodam, como os piões, as pessoas que moram nos polos?
Por que variam de tamanho as gotas da chuva?
Por que ficamos pálidos quando temos um grande susto?
Por que temos medo de aranhas?
Como se forma o veneno das serpentes?
O peso da Terra aumenta com as construções?
Por que a neve é branca?
Como as abelhas conseguem zumbir?
Por que a água do mar é salgada?
Como se dá a luz dos vagalumes?
As flores dormem à noite?
Centenas, milhares de perguntas nos ocorrem durante a vida.
Desde crianças, muitas respostas encontrávamos nos livros.
Com o tempo, estas se apagam na memória. Ou são superadas por novos conhecimentos, novas descobertas. Quantas vezes os ovos passaram de heróis a vilões, e vice-versa?
Um desses grandes mistérios era saber o que haveria do outro lado da lua. Até que, em meados do século passado, sondas e naves espaciais nos trouxeram as primeiras fotos, de pouca nitidez.
Mas nunca um ser humano havia presenciado esse outro lado.
Como aqui da Terra não o vemos, fica em nosso imaginário que esse outro lado é plena escuridão, um balão apagado. Mas na verdade ele é igualmente iluminado pelo sol.
Nesta data quatro astronautas tiveram a inédita oportunidade de ver, com seus próprios olhos, o outro lado da lua. Puderam admirá-lo e transmitir imagens precisas.
São quatro seres humanos privilegiados, que ficarão na História.
E nós, aqui da Terra, seguiremos apenas admirando e louvando o lado eternamente voltado para nosso planeta azul.
Como o fizeram Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, em 1908, ao descrever o Luar do Sertão; Chiquinha Gonzaga, em 1912, com Lua Branca; Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, em 1968, e sua Viola Enluarada; Caetano Veloso, em 1979, com Lua de São Jorge; Chico Buarque, em 1980, na canção Mar e Lua; e tantos outros poetas, escritores e cantadores.
Salve a Lua, a partir de hoje menos misteriosa!
Salve São Jorge!
E nossa homenagem aos quatro astronautas que ainda estão por lá, festejando, sua maior proximidade com a Lua: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas Christina Koch e Jeremy Hansen.
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