Por Laurindo Lalo Leal Filho, jornalista, professor
Acompanhei os discursos do Lula e do Trump.
Ficou claríssima a diferença entre a defesa da civilização feita pelo brasileiro e incentivo à barbárie do estadounidense.
Não que isso seja novidade, mas as falas na ONU fizeram um belo resumo das políticas adotadas pelos dois países.
Com a evidência das mentiras em série ditas por Trump.
No inicio do seu discurso, ao falar sobre os Estados Unidos, parecia se referir a um país imaginário, esquecendo a real situação de um Império em decadência.
O melhor momento foi quando se referiu criminosamente a Cuba e recebeu como troco a saída imediata da delegação cubana que estava na plateia.
Lula, por sua vez, foi interrompido por aplausos em quatro momentos.
Quando se referiu a iniciativa da Assembleia Geral de declarar o tráfico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”, quando disse que perseguir o Tribunal Penal Internacional (TPI) e seus integrantes é um estímulo para que crimes fiquem impunes, destacando o trabalho da Relatora Especial da ONU, Francesca Albernese; quando tratou da soberania dos países dizendo que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e quando falou da luta contra o feminícidio, defendendo políticas de igualdade, proteção e valorização das mulheres.
Um contraste brutal com o sujeito que o sucedeu na tribuna.
Sobre a cobertura das emissoras, sintonizei um pouco o Uol e um pouco a GloboNews.
Em ambas só fiquei sabendo quem era o cidadão que falou depois do Secretário-Geral, antes do Lula, porque o presidente brasileiro se referiu a ele ao iniciar sua fala.
Era o presidente da Assembleia, Khalilur Rahman, diplomata e ex-ministro de Bangladesh.
Na emissora global que ao longo da transmissão colocava na tela informações ou comentários de seus jornalistas por escrito, um deles fez questão de alertar, durante a fala do Lula, que ele já havia estourado o seu tempo de 15 minutos. Informou errado. O tempo previsto era de 20 minutos. Lula falou 18. Trump, depois falou cerca de 40.
No UOL, depois da fala do Trump, a apresentadora fez questão de dizer que ele havia “ignorado” o Lula, como se fosse necessário mencioná-lo. Por coerência, deveria ter dito também que Lula ignorou o Trump.







