Por Marcelo Damasceno, compartilhado de Mediun
A manifestação de hoje (11/10), reuniu muitas vozes em um só coro: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Quem olhar sem muita atenção pode achar que tudo se resumiu ao apoio à reeleição do presidente Lula. Mas o ato foi além disso. Foi uma demonstração de força da juventude e das demais gerações presentes em defesa dos direitos sociais e das políticas públicas que, ao longo de décadas, contribuíram para tirar pessoas da pobreza e da fome neste país.
Educação pública e gratuita, acesso universal à saúde, água potável, direito à moradia, cotas nas universidades e políticas de distribuição de renda. Essas e outras iniciativas ainda precisam de melhorias, mas transformaram vidas de norte a sul do Brasil. Reconhecer seus limites não diminui a importância de preservá-las e ampliá-las.
Descontinuar essas políticas significa retirar direitos de quem mais precisa estar presente no orçamento público. Afinal, os impostos pagos pela população precisam retornar em serviços, oportunidades e condições dignas de vida. Reduzir esse investimento para privilegiar setores da elite brasileira é manter uma lógica que concentra recursos e limita o desenvolvimento socioeconômico de quem também sustenta o país.
Por isso, não vejo a manifestação de hoje apenas como um apoio à reeleição de Lula. Vejo um ato para chamar a atenção sobre o que podemos perder ao escolher uma proposta de cortes que comprometa o SUS, as bolsas de estudo, os programas habitacionais, a educação pública, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a valorização do salário mínimo.
Essa discussão precisa chegar ao cotidiano das pessoas. Um corte no orçamento pode significar menos atendimento na saúde, uma oportunidade de estudo interrompida ou o adiamento do acesso à moradia. Não estamos falando apenas de números, mas de decisões que afetam vidas.
As ruas já se manifestaram sobre o que querem preservar. Agora, a missão é dialogar com os indecisos e com quem se absteve no primeiro turno. Ouvir suas razões, apresentar argumentos e mostrar o que está em disputa. Afinal, defender direitos que transformam vidas também é defender o país que queremos construir.
Marcelo Simões Damasceno — Jornalista, doutor em comunicação social, analista político e professor







