Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, exclusivo para o Bem Blogado
Tem muita gente preocupada em discutir como será ou deveria ser o novo mandato do presidente Lula e a grande imprensa já verbaliza o tal mercado na busca desesperada pelo tal “ajuste fiscal”, derrotado nas urnas pelos brasileiros.
As questões acima serão definidas por Lula a seu tempo. Competência e experiência não faltam ao maior líder político da História nacional. Mas o que aconteceu em 25 de outubro cabe ainda ser comemorado por todos democratas. Foi a campanha mais heroica e linda que o País já viveu.
Os mais velhos nunca testemunharam uma virada obtida na raça como a do segundo turno e os jovens terão para sempre na lembrança os dias vividos entre 4 e 25 de outubro.
Não é exagero, a vitória da Lula ecoou no mundo. Principalmente na América Latina, é impressionante a quantidade de vídeos de políticos de esquerda e de cidadãos comuns dando o resultado brasileiro como a volta da esperança para enfrentar o tsunami fascista na região. Si es posible.
Na Europa, o gesto de fazer o “L” com os dedos da mão está presente em todas as manifestações de rua que atualmente sacodem aquele Continente. Na África e na Palestina o povo sofrido festejou a virada épica.
Até muitos de nós, inebriados pela virada, talvez ainda não dimensionam o que fizemos em três semanas. Da angustiante noite de 4 de outubro até o domingo mágico de 25 último, o País mudou. E, justiça se faça, foram os bravos estudantes que deram o tiro inicial. No dia 5, ante a descrença de muitos até do nosso lado, a juventude de Niterói foi primeira às ruas e avisou os fascistas que não nos entregaríamos sem luta. A partir dali, o Brasil pegou fogo.
As gigantescas manifestações de rua nas grandes capitais, a adesão massiva dos jovens (eles que estavam ausentes dos atos do nosso campo nos últimos atos), o trabalho emocionante para diminuir a abstenção, os idosos que não votavam recentemente por limitações físicas e que se arrastaram até a urna.. Ah, quantas cenas inesquecíveis o povo brasileiro produziu.
Parecia um milagre. A extrema-direita foi varrida das ruas, um terreno que havia sido nosso, mas que infelizmente havíamos perdido para o esgoto fascista.
Para se ter uma ideia, para quem conhece a cidade de São Paulo. No sábado, véspera do segundo turno, conseguimos lotar 14 quarteirões, nos dois sentidos, da avenida Paulista. Foi a mais massiva concentração política da História do Brasil. Tem gente que calcula público de 1 milhão, outros de 2 milhões.
E ali estavam jovens periféricos que não queriam perder as conquistas sociais e educacionais criadas pelos governos do PT, idosos em defesa da Democracia e em combate aos bandidos que amam ditaduras de direita, mães abraçadas com seus filhos pela luta ao direito de seus sonhos e futuros.
Foi lindo, aquelas coisas que vamos dizer pelo resto da vida “eu estive naquele dia na Paulista”.
A figura política gigantesca de Lula guiou a todos. Parece que muitos acordaram e viram que o nosso “velhinho bom” não poderia ser abandonado e trocado por um bando de ladrões, criminosos matadores e seres da idade da Pedra.
E Trump soube que o povo brasileiro não aceita ver seu País ser doado como quintal para nenhuma potência estrangeira. O pilantra americano pela primeira vez perdeu uma eleição na América do Sul.
O jogo mudou e o novo tempo trás junto mais uma enorme responsabilidade para Lula. Entraram em cena novos atores fundamentais para assegurar sua vitória. Essa juventude não é necessariamente petista, mas defende a Democracia e reconhece em Lula o condutor de políticas públicas que melhoraram a vida de seus pais e familiares e abriu a porta da Universidade para muitos deles, algo impensável em passado histórico recente.
É hora de engajar essa moçada definitivamente na luta política. Ver que justiça social não é meta, é direito. Viva o povo brasileiro!







