Por Adriana do Amaral, jornalista
Confesso que pouco conhecia sobre Patti Smith. Que mulher admirável. Uma artista que não apenas fez do limão uma limonada, mas chás, geleias, musses, temperos em forma de canções, poesia, fotografia, performances, livros.
É surpreendente como a vida de uma pessoa conta muito sobre o seu país e das histórias dos lugares que ela cruzou sob outra perspectiva.
Em “Pão dos anjos -A história da minha vida” descobri, como dizemos aqui, “uma mulher grandona”! Em alguns capítulos senti como sou pequena, em outros as vivências nos aproximam de forma surpreendente.
No final da leitura, triste em me despedir, a contestação daquele sentimento de que as pessoas, todas, todes, todos, são protagonistas neste rodar dos tempos e da terra.
“A memória restaura e serpenteia pelas veias de um mapa rasgado… “.
Nas recordações da autora reconheci algumas das minhas referências como gente (normal?):
“Fui convocada a retomar a minha vida pública pelos poetas.”.
Percebi que nem ela conquistou tudo, e me redignei:
“No meio anseio de viajar, por andar em outras ruas de outras terras, convertia pequenos espaços namente.
Também me desafiou a “romper o lacre silencioso…” e “celebrar as contribuições culturais…” .
Porém, ao contrário dela, continuo acreditando que “ser artista é profissão sagrada” e não é para qualquer um.
Talvez, o que mais nos aproxima é a “tendência de me solidarizar com os oprimidos ou discriminados”.







