Privatização e terror em São Paulo

Compartilhe:

Falta engenharia, sobram interesses escusos e quem sofre é a população. Que o digam aqueles que lotavam o trem da Linha 12 na manhã desta quinta-feira (23/7) e enfrentaram incêndio, tumulto e um longo percurso pelos dormentes da via férrea, além de todos os demais que sofreram com a paralisação do serviço. A maioria desistiu de chegar ao seu trabalho.

Por Nestor Tupinambá, compartilhado de SEESP




Foto: Vagão queimado após incêndio na Linha 12. Imagem: reprodução @cohab2ativa

O leilão das Linhas 11, 12 e 13 foi realizado na Bolsa de Valores em 28 de março de 2025. Ou seja, mais de um ano para que a operação passasse da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPMT) à Trivia Trens, ganhadora do certame. Embora se presuma ser esse prazo suficiente para arranjos e adequações, aparentemente a engenharia não foi levada a sério no processo.

Após o ocorrido, em atitude digna de causar um ataque de nervos, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou a volta imediata da operação para a CPTM, que reassumirá por 90 dias. Os trabalhadores da estatal, sob ameaça de serem descartados, são agora convocados a arrumar a bagunça do agente privado.


Parece outra medida intempestiva, sem análises técnicas e sem transparência. A empresa pública sempre teve capacidade técnica para cumprir sua missão, estando claro que a privatização no transporte sobre trilhos é um erro. Faltam profissionais qualificados, entendimento e sensatez. Aliás, a Trivia alegou não ter engenheiros em seus quadros para se recusar à negociação coletiva com o SEESP. Como é possível atuar nesse ramo sem os técnicos essenciais?

Seguindo o padrão, as também privatizadas linhas 7 e 8 têm alta ocorrência de falhas e problemas, sempre penalizando os usuários que dependem do transporte, não os burocratas que decidiram fazer negócios com um serviço essencial.

O SEESP, que tem debatido e elaborado propostas para o setor por meio de seu Conselho Assessor de Mobilidade e Trânsito, defende o direito constitucional ao transporte seguro, eficiente e de qualidade. A entidade se coloca à disposição para colaborar com esse debate, contribuindo tecnicamente para o bem-estar da sociedade.

Nestor Tupinambá é engenheiro civil (EESC/USP), mestre em Planejamento Urbano (FAU/USP) e consultor. Atuou como engenheiro do Metrô por 47 anos. Integra o Conselho Fiscal do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) para a Gestão 2026-2029.

O Bem Blogado precisa de você para melhor informar você

Há sete anos, diariamente, levamos até você as mais importantes notícias e análises sobre os principais acontecimentos.

Recentemente, reestruturamos nosso layout a fim de facilitar a leitura e o entendimento dos textos apresentados.
Para dar continuidade e manter o site no ar, com qualidade e independência, dependemos do suporte financeiro de você, leitor, uma vez que os anúncios automáticos não cobrem nossos custos.
Para colaborar faça um PIX no valor que julgar justo.

Chave do Pix: bemblogado@gmail.com

Compartilhe:

Categorias