Antes de Votar: 25 Fatos Sobre Flávio Bolsonaro que Você Precisa Saber

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Por Pablo Villaça, escritor e crítico de cinema

Eu não publico fake news. Ao longo de mais de três décadas de carreira, as ocasiões em que divulguei alguma informação incorreta foram mínimas – e em todas eu não apenas apaguei o dado equivocado como publiquei esclarecimento (sem necessidade de ameaça jurídica, diga-se de passagem; apenas porque meu maior patrimônio profissional é minha credibilidade). É por esta razão que sempre incluo minhas fontes nos textos que escrevo sobre política.




É aqui também que julgo importante salientar que nunca trabalhei nem trabalho para qualquer partido ou operação política e que jamais recebi um centavo sequer para escrever sobre o tema. Nem mesmo em forma de anúncio – o que não seria um problema, já que todos os veículos jornalísticos o fazem; ainda assim, nem isso pode ser dito a respeito das minhas motivações.

E quais são minhas motivações, afinal? Posso resumir de modo simples: o desejo de ver pessoas com humanidade no poder e, ao mesmo tempo, afastar de lá os indivíduos que colocam o dinheiro à frente dos seres humanos e estimulam, por interesse próprio, o ódio, a intolerância e a mesquinhez.

Leia de novo o que escrevi, por gentileza, e note que não mencionei plataformas políticas, ideológicas ou econômicas; apontei simplesmente a importância de empatia básica. (Embora meu posicionamento seja claro desde sempre; não preciso escondê-lo.)

Se você ler o parágrafo anterior e encontrar motivos para discordar… bom, definitivamente não creio que qualquer coisa que eu mencione neste post seja capaz de te ajudar a tomar uma decisão embasada no mundo real.

Aos demais, vamos lá (as fontes estão listadas nas notas de rodapé):

1) Pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, banqueiro preso. Inicialmente, negou que tivesse feito isso (“É mentira, pelo amor de Deus!”, protestou); apenas quando as conversas vieram a público é que voltou atrás e admitiu. As investigações apontam que negociou até 134 milhões de reais, dos quais 61 milhões teriam sido pagos. E aqui entra o meu lado de quem escreve sobre cinema desde 1994: a ideia de que o filme “Dark Horse” custaria esse valor é ridícula. Para que tenham uma ideia, O Agente Secreto, coprodução internacional com amplo trabalho de recriação de época, elenco gigantesco e efeitos visuais, custou cerca de 25 milhões. E eu vi trechos de “Dark Horse” vazados; se eles gastaram um terço dos 61 milhões naquilo, todos os envolvidos deveriam ser proibidos de fazer filmes.

2) As conversas com Vorcaro revelam uma intimidade que torna ainda mais evidente a proximidade entre os dois: era “irmão” para cá e “irmãozão” e “mermão” para lá, além de jantares reservados e encontros privados (“Pode ser na sua casa sim! Acho até melhor!”). Detalhe: várias das mensagens eram de visualização única; as conversas traziam inclusive várias mensagens escritas no bloco de notas, capturadas em tela e depois enviadas em formato de imagem pelo WhatsApp. Qual foi a última vez que você se deu a todo esse trabalho para enviar uma mensagem inocente?

3) Na véspera da prisão de Vorcaro, quando os problemas legais deste já eram de conhecimento público, Flávio ainda mandou mensagem declarando apoio integral: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. E depois que Vorcaro foi solto, Flávio o visitou em sua casa.

4) Caso Flávio seja eleito, as investigações relacionadas ao filme e ao dinheiro recebido de Vorcaro serão congeladas. Quem afirma isso não sou eu, mas constitucionalistas que apontam que o artigo 86, parágrafo quarto seria usado para suspender as apurações.

5) Enquanto pregava austeridade para a população, Flávio Bolsonaro comprou uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília em uma transação considerada atípica: com um financiamento estranho feito via BRB, cujo presidente na época era Paulo Henrique Costa – que agora se encontra preso. Em janeiro de 2021, Flávio aparece com Costa sorridente em uma foto tirada no imóvel e que incluía ainda Allan Guerra, tabelião que foi levar pessoalmente o registro de compra e venda para a assinatura de Bolsonaro. Inicialmente, ele pagou 2,87 milhões e financiou 3,1 milhões em 30 anos – mas quitou tudo três anos depois. Detalhe: o BRB ofereceu a Flávio uma taxa bem abaixo da taxa padrão disponível aos demais clientes.

6) Em novembro de 2020, Flávio foi denunciado por “rachadinha”: organização criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato. O esquema envolveria desvio de salários dos servidores de seu gabinete por mais de uma década.

7) Isto se soma aos valores pagos a funcionários fantasmas dos gabinetes não apenas de Flávio, mas do pai e dos irmãos. O responsável por operar o esquema era Fabrício Queiroz, chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro – e entre 1991 e 2019, 28% dos salários foram depositados em contas de servidores que não trabalhavam de fato. Total envolvido? 29,5 milhões de reais em valores atualizados.

8) Em apenas um mês, entre junho e julho de 2017, Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos de dois mil reais cada, totalizando 96 mil reais. O Coaf apontou que isto teria sido feito para escapar da fiscalização sobre os responsáveis. A justificativa de Flávio? Fez isso para escapar das filas do caixa.

9) Segundo os relatórios do Coaf, Flávio usou uma loja de chocolates para lavar o dinheiro das rachadinhas. Além disso, Flávio teria omitido da declaração de imposto de renda 350 mil reais investidos na loja e lavado mais de 2 milhões de reais desta maneira.

10) Outro indício das “rachadinhas” reside no fato de que Fabricio Queiroz pagou – e em dinheiro – as mensalidades das escolas das filhas de Flávio. Que assessor generoso. E mais: metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada em dinheiro vivo; ao todo, 107 imóveis foram comprados pela família, dos quais ao menos 51 adquiridos total ou parcialmente em espécie. Em valores corrigidos, nada menos do que 25,6 milhões em dinheiro vivo.

11) Em vez de tentar provar a própria inocência, Flávio Bolsonaro usou de forma sistemática a estratégia de usar o foro privilegiado para travar os processos, recorrendo dezenas de vezes aos tribunais superiores para anular provas em vez de contestá-las.

12) Pior: sua articulação para anular os relatórios do Coaf acabou por enfraquecer os mecanismos brasileiros de combate à lavagem de dinheiro. Ou seja: para evitar a cadeia, Flávio Bolsonaro, contando com a ajuda do pai, ajudou a sabotar os meios existentes para investigar o crime em si, enfraquecendo o Coaf.

13) Mas não só o Coaf: para blindar Flávio, o pai interferiu na PF com a ajuda de Alexandre Ramagem, então diretor-geral da Abin, e do general Augusto Heleno.

14) O plano de governo de Flávio Bolsonaro é basicamente uma ameaça de morte à economia brasileira: sua coordenadora de programa econômico, Daniella Marques, defende o “modelo Milei” para o Brasil, afirmando que as medidas do presidente argentino deveriam ser repetidas aqui. Pois apenas no primeiro semestre de 2026, o “modelo Milei” resultou em um aumento de 4,1% na pobreza, atingindo 32,3% da população (quase um terço dos argentinos, mais de 15 milhões de pessoas). Além disso, a indigência aumento em 1,2% chegando a 7,5% da população (3,6 milhões de pessoas). Nos últimos 12 meses, a cesta básica aumentou em 34,7% na Argentina (o aumento salarial ficou em 25%, com o salário mínimo tendo uma perda real de 39,1% quando comparado ao início do governo Milei). A atividade econômica do país caiu em 2,9% em julho (maior queda em seis anos). Para completar, 31,3 mil empresas fecharam no país sob Milei (6,1% do total) e 245 mil postos de trabalho foram eliminados. Enquanto o desemprego sobe na Argentina de Milei, no Brasil ele atingiu em setembro seu menor índice histórico (5,3%).

15) Como se não bastasse querer imitar o desastre Milei, o plano econômico de Flávio Bolsonaro prevê 190 bilhões de reais de cortes, mas se nega a dizer onde cortará, já que o plano não apresenta meta fiscal nem estimativa dos impactos das medidas. Para bom entendedor, o recado é claro: esperem cortes em Educação, Saúde, Cultura e programas sociais – exatamente como fez o pai, só que de forma ainda mais intensa (“modelo Milei”).

16) Flávio Bolsonaro defende, ainda, a PEC 12/2026, apresentada por seu aliado Rogério Marinho (PL), que foi inclusive coordenador de sua pré-campanha. E o que é esta PEC? Acreditem ou não, ela estipula que seja permitido o estabelecimento de contratos de trabalho por hora, colocando o trabalhador numa situação em que até suas horas de lazer deixam de ser um direito social. De acordo com pesquisadores, isto aumentará a precarização do trabalho e anulará os efeitos da eventual redução da escala 6×1, aplicando quase um conceito de uberização a todos os setores da economia. Para piorar, ela permite que os empregadores troquem os contratos integrais por contratos por hora trabalhada.

17) Flávio Bolsonaro é contra a redução da escala de trabalho 6×1, defendendo, em vez disso, a PEC discutida logo acima – e que precarizará ainda mais a situação dos trabalhadores do país.

18) Flávio Bolsonaro apoiou os ataques de Donald Trump ao Brasil – incluindo a taxação sobre a exportação de produtos do país para os Estados Unidos. Aliás, ele e o irmão Eduardo agradeceram publicamente a medida de Trump mesmo sabendo que esta prejudicaria empresas brasileiras.

19) Flávio não apenas tem uma postura permissiva com relação ao garimpo ilegal como defende maior abertura para a exploração predatória que vem destruindo rios e comunidades tradicionais da região. Além disso, ele não reconhece a existência de uma crise climática (aparentemente, não vê os extremos de frio e calor e os desastres naturais cada vez mais frequentes), ignora medidas para a eliminação progressiva de combustíveis fósseis e não vê problemas com o desmatamento, ignora os direitos de povos e comunidades tradicionais. Defende também acelerar a mineração com capital estrangeiro.

20) Os principais aliados e conselheiros de Flávio Bolsonaro são evangélicos fundamentalistas com histórico de ataques ao Catolicismo e a regiões de matriz africana – como detalhei neste post. E, não à toa, quando acusado de querer eliminar a posição de Nossa Senhora de Aparecida como padroeira do Brasil, Flávio atacou a CNBB. Enquanto isso, os bispos divulgaram um relatório contendo quase 60 ataques da extrema-direita contra católicos.

21) Depois de serem aprovadas no governo Temer, as bets atravessaram todo o governo Bolsonaro sem qualquer regulamentação, transformando-se num problema crescente para as famílias e para a economia brasileira – mesmo que o decreto aprovado na gestão anterior estipulasse que a regulamentação deveria ocorrer em até quatro anos (ou seja: 2022). Com isso, o setor não tinha regras de fiscalização e de recolhimento de impostos. Finalmente, no governo Lula uma medida provisória foi aprovada para regulamentar o setor, mas com a observação de que poderia acabar com as bets caso se tornassem um problema maior – como de fato se tornaram, culminando na revogação de seu funcionamento. Já Flávio Bolsonaro criticou o fim das bets.

22) Flávio Bolsonaro tem ligação antiga com as milícias. Não apenas negociou emendas com o miliciano condenado pelo assassinato de Marielle Franco (o sujeito se referia a Flávio como “nosso senador”) como as “rachadinhas” discutidas anteriormente teriam sido utilizadas em parte para financiar prédios ilegais da milícia no Rio de Janeiro. Já o lucro do investimento, segundo o MP, era feito por repasses através do miliciano Adriano da Nóbrega (que viria a ser executado em fevereiro de 2020; aliás, sua mãe e sua irmã trabalharam por um bom tempo no gabinete de Flávio). Ele também é responsável por emendas usadas para pagar empresas investigadas pela PF por suspeita de cartel, incluindo um instituto indicado por um miliciano.

23) Flávio votou contra a Lei 14.611/2023, que prevê equiparação salarial entre homens e mulheres; defendeu propostas no Senado para punir denúncias de crimes sexuais (uma medida que juristas e organizações de direitos humanos denunciaram por criar ambiente de intimidação às vítimas); apoiou a flexibilização no acesso às armas de fogo, algo correlacionado ao aumento no número de feminicídios (como discuti aqui); e apoiou o governo do pai em sua decisão de reduzir em mais de 90% as verbas federais destinadas a redes de proteção a mulheres, como abrigos e canais de emergência para denunciar violência doméstica.

24) Como senador, apoiou o governo do pai na revogação de normas protetivas contra acidentes de trabalho e nos cortes ao desenvolvimento acadêmico e científico (como no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, no orçamento da Capes e CNPq). Além disso, apoiou benefícios fiscais a agrotóxicos e à “PL do Veneno”, que diminuiu o poder de veto da Anvisa e do Ibama sobre substâncias químicas, colocando em risco a saúde de todos os consumidores. Foi também ferrenho defensor do negacionismo da Covid, algo que resultou na morte de 700 mil brasileiros (o segundo país com maior número de mortos – um número desproporcional ao total da população, como discuti aqui). Preciso dizer também que ele defende os golpistas que destruíram Brasília enquanto tentavam derrubar o regime democrático?

25) Durante o governo Bolsonaro, o endividamento das famílias brasileiras saltou de 59% para 79% em apenas quatro anos – um recorde na série histórica. O preço dos produtos de supermercados e feiras aumentou 50% no período Bolsonaro. No governo Lula, o aumento foi de 16%. Quando Jair assumiu, a cesta básica em São Paulo totalizava 467,65 reais, subindo para 791,29 em quatro anos (69,21% de aumento); sob Lula, ela foi para 900,59 (valor em setembro de 2026), crescendo 13,8% ao longo de seu mandato. Repetindo: sob Jair, a cesta básica aumentou 69,21%; sob Lula, 13,8%. Adivinhem qual governo é modelo para Flávio?

Repito o que disse no começo: absolutamente todas as informações presentes neste texto podem ser confirmadas; eu incluí os links abaixo, mas você pode checá-las de forma independente.

Sinta-se livre para compartilhar este texto onde quiser. Principalmente entre quem ainda está em dúvida sobre o voto e não está aprisionado pela irracionalidade do bolsonarismo.

https://pablovillaca.substack.com/p/antes-de-votar-25-fatos-sobre-flavio?fbclid=IwdGRjcAUsimpjbGNrBSyKTWV4dG4DYWVtAjExAHBkb2YFc3J0YwZhcHBfaWQMMzUwNjg1NTMxNzI4AAEeQWEWQhzCW7iiZKBi-8jqbLqBili00cYeeiSKiGfzufck7DM9zPuKu2Or7Jo_aem_RHwQSYGwWPjxLClSnZQd_w&utm_id=97758_v0_s00_e0_tv1_a1demonlgd0aku

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