Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, para o Bem Blogado
Como diria o presidente Lula, nunca na História deste Brasil o distinto público foi tão bombardeado com a divulgação de pesquisas diretamente eleitorais ou sobre temas políticos. Quase que diariamente aparece alguma. O que isso quer dizer? Quase nada.
Primeiro, é preciso separar o joio do trigo. Instituto como o famigerado Paraná não merece credibilidade alguma. Ninguém sabe quem paga seus “levantamentos” e é conhecido seu alinhamento ao bolsonarismo. Carece tanto de confiabilidade que não é reconhecido nem pela associação que reúne as empresas do setor. Portanto, quando ler algum título “Instituto Paraná…”esqueça e passe para a notícia seguinte.
Outro ponto é que pesquisa eleitoral, ainda mais nacional, é cara. Exige investimento de muita gente preparada em campo, além de equipe capacitada em estatística e demografia. Vai daí que parte dos institutos tende a fazer seu trabalho por telefone ou e-mail. Assim, corta pela raiz o custo de pessoal trabalhando na rua ou em casas, o que exige deslocamentos, alimentação etc.
Em tese, o fato de o entrevistado ser alcançado por meio que não seja presencial não invalida a possibilidade de o trabalho atingir um bom resultado técnico, desde que se chegue ao consultado por método estatístico e demográfico seguro. O problema é que o Brasil ainda não é um campo 100% confiável para se dispensar a entrevista presencial.
Apesar de o celular ser hoje utilizado pela imensa maioria da população, entre os mais pobres sua disseminação ainda não é total e alguns brasileiros não se sentem dispostos a e responder a uma pergunta política por telefone, até por questão de segurança. E entre os mais pobres, por exemplo, a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva é maior quando se compara com outros estratos sociais.
Um outro fator que deve ser ponderado em pesquisa é quando o seu campo é feito. Um trabalho que coincide com algum fato desfavorável ao governo obviamente impacta na reação imediata dos consultados. Obviamente, isso vale também a favor dos mandatários quando ocorre alguma ação que repercute bem na população.
Por isso, recomenda-se atenção redobrada no Instituto Quaest, que divulga pesquisas sobre quase todos os temas políticos a praticamente toda semana. O Quaest é o maior exemplo da atual overdose de divulgação sobre pesquisas, sujeitas assim a uma óbvia oscilação de resultados. No caso do instituto mineiro, convém ainda saber que ele tem vínculos próximos a setores empresariais, nunca explicitados por seu loquaz dono, que virou arroz de festa principalmente nas emissoras noticiosas da TV fechada.
Ditas as várias ressalvas, pesquisa bem feita é sim um valioso instrumento para aferição do humor momentâneo dó eleitorado. É bobagem científica desacreditá-la por princípio. Todos os partidos políticos, incluindo aí o PT, levam a sério os levantamentos de opinião pública. As maiores legendas têm até equipes especializadas para analisar os dados de pesquisas. Você pode não gostar, mas é assim que a banda toca.
E o que as pesquisas sérias mostram hoje, pouco mais de um ano antes da eleição presidencial? Lula segue o favorito para conseguir mais um mandato. Seu pior índice, de 40% firme de intenção de votos, é suficiente, com muito boa sobra, para levá-lo ao segundo turno. Pior taxa, ressalte-se. E na segunda votação a maioria tem tudo para ser alcançada.
Uma obviedade acaciana, muita coisa pode mudar. Não se descartam mudanças abruptas no cenário internacional, fatos novos e por aí vai.
Na verdade, pouca coisa é diferente desde a eleição de 2022 em termos de adesão ao petismo/lulismo e antipetismo. Em relação à corrida de 2026, duas “novidades” devem entrar em campo: na direita, as elites econômicas e dos grandes grupos de comunicação estão mais à vontade para combater a reeleição de Lula sem Bolsonaro (apesar da incógnita que é para eles a possibilidade de perder uma franja de apoio entre os seguidores do genocida).
A favor de Lula, não sejamos ingênuos, está a máquina governamental, que sempre pesa em campanha. Além, é claro, do carisma que Lula conserva principalmente entre os mais pobres e miseráveis.
Enfim, o jogo está sendo jogado, mas a preços de hoje Lula é o favorito para 2026.







