Por Celso Sabadin, compartilhado de seu Blog
O desafio não era pequeno: fazer um filme sobre pessoas com deficiência sem cair nos clichês dramatúrgicos que o tema perigosamente proporciona. Mas ele foi vencido com muita competência: “Surda” aborda o tema proposto com extrema sensibilidade e amplo senso de realidade.
O roteiro de Clara Serrano Llorens e de Eva Libertad, também diretora do filme, mostra o casal formado por Angela (Miriam Garlo) e Héctor (Alvaro Cervantes). Ela, surda; ele, ouvinte. Ambos vivem um relacionamento à beira da perfeição, em harmonia e entendimento mútuo. Até que a chegada de um bebê abre novos desafios, dúvidas e profundas questões que não faziam parte do universo de Angela e Héctor até então.
“Surda” é uma continuidade do curta-metragem homônimo, de 2021, da mesma diretora e com a mesma atriz. O longa fez história ao premiar Miriam Garlo como a primeira atriz surda a vencer um Goya, o prêmio máximo do cinema espanhol. Eva Libertad também foi premiada, como Melhor Diretora Estreante, e Álvaro Cervantes venceu como Melhor Ator Coadjuvante.
Mais que abordar o problema, “Surda” nos coloca dentro dele. Um belíssimo trabalho sem heróis, nem vilões, nem coitadismos, mas com muita reflexão.







