Um tarifaço no Louvre

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Os trabalhadores do Louvre estão empenhados em uma das mais longas greves da história do museu. Uma greve inclusive contra o novo e discriminatório preço do ingresso para não-europeus.

Por Hugo Souza, compartilhado de Come Ananás




Quem não é cidadão europeu e foi visitar o Museu do Louvre, em Paris, nesta segunda-feira, 2, pagou 32 euros para entrar, o equivalente a cerca de 200 reais. A nova tarifa está em vigor desde 14 de janeiro. Trata-se de um aumento de 45% em relação ao preço do ano passado e são 10 euros a mais do que pagam os residentes do Espaço Econômico Europeu. Da sala Mollien, a Liberdade de Delacroix guia o povo e está vendo a discriminação.

Nesta segunda, quem pagou 32 euros no antecipado e chegou cedo para visitar o Louvre encontrou primeiro um aviso de que o museu não iria abrir no horário previsto e, pior, não tinha hora para abrir. Não demorou e apareceram membros do sindicato SUD-Culture Solidaires explicando aos desavisados o porquê.

É que desde o dia 15 de dezembro os trabalhadores do Louvre estão empenhados em uma das mais longas greves da história do museu, em resposta ao corte de pessoal e de recursos que vem resultando em condições de trabalho cada vez mais precárias e nisto aqui, nas palavras do sindicato e como se não bastassem as milhares de selfies por dia com a pobre Monalisa: “visitar o Louvre tornou-se uma verdadeira provação”.

“A retirada do apoio estatal às instituições públicas e as políticas neoliberais dos sucessivos governos impuseram um sistema de suposta rentabilidade que promove a massificação e a comercialização da cultura. O aumento generalizado dos preços dos museus e a introdução de uma taxa adicional para pequenos grupos guiados são um duro golpe para os guias profissionais e prejudicam a igualdade de acesso aos serviços de visita guiada”, diz o comunicado do SUD-Culture Solidaires distribuído aos turistas nesta segunda nas entradas do Louvre.

Nesta segunda, o Louvre abriu à tarde, só à tarde, em operação-padrão. Entre as reivindicações dos grevistas está o fim do tarifaço para não-europeus, política que, de novo nas palavras de quem faz a greve — e faz muito bem —, “atropela nossa história republicana e o universalismo fundador do museu”.

Recentemente, a A Liberdade guiando o povo passou por uma restauração que durou seis meses e removeu camadas de verniz oxidado que sufocavam o azul, o branco e o vermelho da bandeira da República francesa.

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