Por Ademir Assunção, poeta e jornalista
Obrigado por ter nos encorajado a viver a vida com liberdade, criatividade, imaginação, humor, ousadia.
Obrigado por ter nos mostrado que a vida pode ser (e é) mágica – muito diferente desse círculo reacionário, competitivo, chato, careta, irrespirável, que velhos e jovens senhores estão nos empurrando goela a baixo, dia após dia.
Obrigado por nos lembrar o tempo todo, oswaldianamente, que “a alegria é a prova dos nove”, no fogo cruzado desta sociedade cada vez mais doente e que arma armadilhas o tempo todo para nos deixar brochas, tristes, baixo-astral.
Me disseram que você estava adaptando o livro “A Queda do Céu”, do Davi Kopenawa e do Bruce Albert, para levar ao palco do Teatro Oficina Uzyna Uzona.
Estou mobilizando todas as minhas energias para manter os olhos no horizonte contrário, mas temo cada vez mais que sim, o céu vai cair.
São tantos os sinais. É tamanha a cegueira.
Zé, mande boas energias para os que ficam por aqui (os xamãs, os poetas, os libertários) tentando furar o telhado de zinco para que a luz do luar possa fazer festa em nossos barracos.
Descanse na santa paz dos orixás, dos budas, dos deuses da fuzarca e da festa, do obelisco silente das estrelas.
Até outro dia, outra noite, outro mundo.
Foto: Ademir Assunção e Zé Celso
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