Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem Blogado
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva venceu o primeiro round (ou assalto?) na luta contra a ingerência espoliativa e imperialista de Trump. Não nos iludamos, porém. O combate do vigarista norte-americano não cessará. O objetivo é não permitir que os brasileiros soberanamente reelejam Lula na já próxima eleição presidencial.
Lula não se curvou, como fez, por exemplo, a poderosa União Europeia, e isso jamais será perdoado por Trump. É preciso antes de tudo, porém, dimensionar o tamanho da vitória brasileira. Ela não é, até agora, um nocaute.
As tarifas que permaneceram em extorsivos 50% vão prejudicar muito o Brasil, suas empresas e trabalhadores que vivem do setor taxado. Ignorar isso e só soltar rojões é desconhecer a Economia real e a Política internacional.
Trump é um vigarista megalomaníaco e tem bateria comercial para prejudicar o Brasil. Permanece subjacente a ameaça de impor novas tarifas a setores poupados até agora. Nunca se pode aplicar a máxima “ele já fez a maldade e vai parar” para o vigarista americano. Melhor apostar no “de onde se espera é que sai mesmo a coisa ruim”.
O objetivo final de Trump, açodado pelos vagabundos do bolsonarismo, é enfraquecer Lula via Economia. Pois é. Um Brasil que acaba de sair da vergonha do Mapa da Fome e tem a mais baixa taxa de desemprego da História, entre muitas outras recentes conquistas, é torpedeado por um Império estrangeiro com a ajuda de uma família de criminosos e seus sequazes, que ainda são muitos, infelizmente.
Não se descarte, e nem é excesso de cautela no caso, que Trump não reconheça uma provável vitória eleitoral de Lula em 2026. O homem não tem limites, mesmo. Muito menos, pudor. De agora até o pleito presidencial, o presidente dos Estados Unidos cada vez mais vai tentar se intrometer indevidamente em assuntos que só cabem aos brasileiros.
Pior, terá logo mais o apoio vira-latas de uma elite e mídia corporativa, que até agora se mantiveram mais ou menos calada na tentativa de sabotagem nacional.
A prudência desses dois importantes atores pode ser medida nos últimos dias quando vozes começaram a se pronunciar pedindo que Lula telefonasse, de joelhos, para o vigarista da Casa Branca.
Apostavam em uma humilhação de Lula, como fez Trump publicamente a mandatários de outros países. Lula resistiu galhardamente aos “conselhos” desses sabujos.
Não embarquemos no triunfalismo precoce. O jogo baixo e sujo apenas começou. O Brasil permanece com as maiores tarifas americanas entre todos os países. Isso é simbólico.
Embora decadente, os Estados Unidos ainda detêm um poder de fogo econômico incomparável em relação ao que temos. A disputa é desigual desde sempre. O pior está por vir, não nos iludamos.
A eleição presidencial brasileira já começou e o maluco americano não vai desistir de ser protagonista nela. Os vende-pátria dos governadores de direita se recolheram momentaneamente na sabotagem contra a Pátria ao constatarem o repúdio da maioria da população à ingerência de Trump. Mas logo soltarão a franga de novo, como fizeram no início do imbróglio.
Diferente de 2022, quando o governo Biden deixou claro aos milicos que não apoiaria um golpe de Estado aqui, é preciso reconhecer, Trump não teria recato algum em incentivar e até financiar uma quartelada. E os fascistas brasileiros, aliados aos eternamente entreguistas, estão onde sempre estiveram, aguardando um sinal verde.
Portanto, já temos novidade: mais do que nunca, o governo dos Estados Unidos vão participar ativamente da eleição de 2026. Trump vem aí. Caberá a nós dizer o “aqui não”.







