Por Julio Benchimol Pinto, advogado
Domingo, Flávio Bolsonaro queria governar o Brasil.
Segunda-feira, jurou que ficaria no país para liderar a oposição.
Terça-feira, às 22h50, atravessou a fronteira argentina com a família. Às 23h30, embarcou num jato particular para Guayaquil, no Equador.
Quarta-feira, a imigração argentina confirmou a rota.
Em menos de 72 horas, o candidato que recebeu quase 60 milhões de votos transformou sua promessa de liderança num plano de voo.
Descumpriu uma ordem judicial, desmoralizou a própria afirmação de que jamais fugiria e deixou seus correligionários procurando explicações.
O estrago político é imenso.
Valdemar Costa Neto convocou o PL às pressas. Tarcísio de Freitas ganha espaço para 2030. Michelle Bolsonaro volta a disputar a liderança. A dinastia que pretendia monopolizar a direita abriu, com a fuga do herdeiro, a disputa pela herança.
E há um perigo maior.
Trump promete vistos. Eduardo Bolsonaro já está nos Estados Unidos. A fuga pode inaugurar outra ofensiva de pressão estrangeira contra as instituições brasileiras, agora conduzida pelo próprio candidato derrotado.
Flávio deixou um problema político para o PL, um problema jurídico para si mesmo e um problema diplomático para o Brasil.
Prometeu enfrentar Lula; preferiu atravessar a fronteira.
Enquanto Valdemar conta deputados e Tarcísio conta os dias até 2030, Flávio conta milhas.







