Drive-in de Brasília reabre com duas sessões diárias

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Por Emanuel Alencar, compartilhado de Projeto Colabora – 

Cine drive-in de Brasília, último do tipo no país, reabre com duas sessões diárias e metade da capacidade

Cine Drive In em Brasília, último do gênero no país: com a pandemia de covid-19, hoje é o único cinema aberto do Distrito Federal (Foto: Divulgação)

Quando a noite cai, começa a diversão. Dispostos lado a lado, num semicírculo, os carros formam um nostálgico mosaico que remete aos antigos seriados de TV. Em tempos de Covid-19, a moda dos cinemas “drive-in”, nos quais o telespectador permanece embarcado no conforto do seu carro, ganha terreno. Primeiro foram os Estados Unidos, agora o Brasil se organiza para reabrir mais espaços do tipo. Único ainda em funcionamento do país, o Cine Drive-In de Brasília, instalado no Autódromo Nelson Piquet, área central da capital da República, foi reaberto nesta terça-feira (dia 28). Com capacidade limitada a 50% da lotação (cabem 400 carros) e duas sessões em sequência, a partir das 19h50.




Estamos surpresos com a procura e pedimos para as pessoas esperarem mais um pouco. Não precisa vir todo mundo ao mesmo tempo

Marta Fagundes
Administradora do Cine Drive In

Marta Fagundes, administradora do espaço, já espera reviver os grandes momentos do cinema ao ar livre brasiliense, inaugurado em 1973. Os tempos de vacas magras – o espaço de entretenimento quase fechou em 2007, sufocado pela avassaladora onda dos cinemas de shoppings – ficaram para trás. Agora o barato é curtir o clima retrô. O celular de Marta não para de tocar. Gente interessada em instalar cines drive-in, ela conta.

“Tem um shopping de São Paulo que vai reabrir um no espaço do estacionamento, e um empresário de Goiás também me ligou, interessado”, diz a administradora, que estima uma altíssima demanda pelas vagas, cortadas pela metade para respeitar uma distância mínima entre os carros. “Estamos surpresos com a procura e pedimos para as pessoas esperarem mais um pouco. Não precisa vir todo mundo ao mesmo tempo”.

Marta Fagundes, administradora do Cine Drive In: "Como os complexos todos estão fechados, tive dificuldade de marcar um filme. "Reestreamos com ‘1917’ e ‘Luta por justiça’. Não são novidades, mas foi o possível. Vamos viabilizar uma terceira sessão, dublada, para crianças. São as famílias os nossos principais frequentadores" (Foto: Arquivo Pessoal)
Marta Fagundes, administradora do Cine Drive In: “Como os complexos todos estão fechados, tive dificuldade de marcar um filme. “Reestreamos com ‘1917’ e ‘Luta por justiça’. Não são novidades, mas foi o possível. Vamos viabilizar uma terceira sessão, dublada, para crianças. São as famílias os nossos principais frequentadores” (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de um mês fechado, logo no início da pandemia do novo coronavírus, o Cine Drive-In Brasília teve dificuldades para reabrir (apesar de um decreto do governador Ibaneis autorizar). Pelo simples fato de que os estúdios estarem com as atividades comerciais em compasso de espera.

“Como os complexos todos estão fechados, tive dificuldade de marcar um filme. Disney não quis. Então consegui com a Universal e com a Warner, e reestreamos com ‘1917’ e ‘Luta por justiça’. Não são novidades, mas foi o possível. Vamos viabilizar uma terceira sessão, dublada, para crianças. São as famílias os nossos principais frequentadores”, conta Marta Fagundes, que herdou do pai a administração do negócio.

A reabertura foi desenhada com cuidados. Além da limitação no número de carros, os frequentadores podem esquecer o drops de anis: o serviço de lanchonete está suspenso, ao menos por enquanto. Dos dez funcionários, apenas cinco estão indo trabalhar. Todo o resto segue como era antes. Ingressos a R$ 30 (R$ 15 a meia). A tela, com 312 metros quadrados, fica a 10 metros de altura e favorece até a visibilidade da “turma do fundão”. O telespectador pode sintonizar o áudio do filme numa rádio (a 88,7 FM), graças a uma frequência liberada para Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Pouca gente se lembra que Brasília tem seu drive-in, mas ele foi pano de fundo do longa “O Último Cine Drive-in”, de Iberê Carvalho, em 2015. Naquele ano, foi instalado um projetor digital, superando o gargalo das películas. Foi um respiro, e o cinema voltou a bater até 50 mil telespectadores por ano. Em dezembro de 2017, o Drive-In ganhou o título de patrimônio cultural do Distrito Federal. “Houve períodos em que eu abria o cinema para três carros. Acho que seguimos até hoje por pura teimosia minha”, diz Marta. “Quando o Cine Drive-In abriu, Brasília tinha dez cinemas. Hoje tem mais de 80. Mas curiosamente só a gente pode funcionar”.

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