Eleições municipais e presidenciais: mídia aposta no fracasso das esquerdas, mas se esquece do fator Lula

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Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem Blogado

O futuro do Brasil será jogado em 2022 e o que há agora é uma, mais uma, aliás, tentativa de alijar Lula do páreo. Com seu nome ou não na urna, Lula continua sendo o maior líder popular brasileiro. De longe.




Está em andamento uma sutil operação nos grandes veículos de comunicação. A jogada é apostar no fracasso dos partidos de esquerda nas próximas eleições municipais e, a partir daí, dar essas legendas, principalmente o Partido dos Trabalhadores, como fora do jogo presidencial em 2022. Noves fora que as urnas não disseram ainda o que as cidades vão querer, mesmo se o vaticínio estivesse correto nada autorizaria  vincular o resultado que se aproxima do que sairá em 2022.

É provável mesmo que o campo popular tenha resultados ruins em algumas das principais cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Se isso de fato for confirmado, caberá às agremiações populares uma análise profunda dos motivos da derrota.

Mas qualquer que seja o que saia da urna municipal, o jogo presidencial é diferente. Uma prova? A mesma recente pesquisa do DataFolha que mostrou a debilidade da candidatura do PT em São Paulo apontou ser Luiz Inácio Lula da Silva o melhor cabo eleitoral para os eleitores paulistanos, superando Bolsonaro e Doria.

Acrescente-se que a aferição foi feita em município sempre apontado na mídia como fundamentalmente antipetista. Uma inverdade quando se sabe que o PT já venceu três disputas na capital paulista.

Em milhares de outras cidades, o quadro se repete. Apesar da tentativa de sepultá-lo politicamente, o ex-presidente Lula continua sendo a referência para milhões de brasileiros.

Perseguido e preso para impedir que vencesse a eleição de 2018, Lula será no mínimo o grande eleitor em 2022. Em 2018, o PT vinha de uma derrota grande nos pleitos municipais e mesmo da cadeia injusta de Curitiba conseguiu levar Fernando Haddad para o segundo turno.

É falsa, portanto, a relação que tentam criar antecipadamente entre uma disputa paroquial e outra em que os grandes temas nacionais entram na roda.

Pior e mais triste ainda é a constatação de que algumas forças que se dizem progressistas estejam jogando pesado para empurrar o partido de Lula para o gueto político, acreditando que dessa maneira se cacifam para 2022.

É o caso notório do PDT de Ciro Gomes, em muitas cidades coligado à velha direita. Se Política tiver lógica, Ciro será abandonado pelo neo-aliados quando chegar a hora de se discutir coligações presidenciais. A direita tradicional, hoje cortejada pelo PDT, terá sua própria candidatura na corrida presidencial.

Em suma, as esquerdas têm algumas tarefas próximas: primeiro, lutar pelas suas candidaturas nas cidades, por mais que a conjuntura local não seja favorável. Denunciar o bolsonarismo e sua tentativa de enganar os pobres cabem sim na eleição municipal.

Depois, caso as urnas não sejam favoráveis, não será a hora da política de avestruz. O distanciamento das bases em alguns casos é evidente. É preciso amassar barro novamente nas cidades em que isso não está ocorrendo.

Em outras situações, passou da hora para entender que o mundo do trabalho e suas relações com os trabalhadores mudaram desde o final do século passado. Quem não assimilar novas formas de luta ficará pela estrada.

A tarefa de fundo para os militantes por justiça social, porém, é desmistificar a mentira que o destino nacional será selado nas eleições municipais. As disputas de novembro são importantes sim, mas não derrubarão Bolsonaro e os fascistas.

O futuro do Brasil será jogado em 2022 e o que há agora é uma, mais uma, aliás, tentativa de alijar Lula do páreo. Com seu nome ou não na urna, Lula continua sendo o maior líder popular brasileiro. De longe.

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