Lutar é preciso, vencer é consequência, mudar para melhor é imprescindível

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E o doutor em Literatura Cícero César Sotero Batista, na coluna “A César o que é de Cícero”, comemora a nossa vitória contra o fascismo, mas faz aqui uma lista de pedidos para que a luta continue com boas mudanças. Que assim seja!

“Se quiseram matar a jararaca, não fizeram direito, pois não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.” (Lula em 2016, depois de depoimento na Polícia Federal em São Paulo).




“Beija-Flor, 27 de outubro de 2026.


Para Ana Clara, in memoriam


Em 2026, o bolsonarismo fez deputados federais, governadores e senadores. Mas faltava a cereja do bolo: a presidência. Não conseguiram. Mais uma vez, Lula provou que a jararaca não estava morta. Lula é tetra.


Cá entre nós, a jararaca ficou por um fio e só não morreu dessa vez por causa da gente, que foi chamada a intervir. O resultado foi o alucinado engajamento digital e presencial do segundo turno em relação ao primeiro. Uma coisa de maluco mesmo.


A quem interessar possa: um mínimo de organização não faz mal a ninguém. A gente quer mudança, sim. Mas acreditar na mudança pela mudança não é solução. É preciso preservar as políticas públicas como avanços civilizatórios. É preciso sobretudo transparência e participação popular nas decisões do país.


Nesta eleição vimos surgir gente como Ana Elisa, como Jones, como Janones, como Jabbour. As redes têm uma maneira muito peculiar de comunicação. É preciso avançar também nestas frentes.


Vimos ressurgir gente como a gente e gente como a juventude, que ganhou o país à maneira de um tsunami. E os mais velhos. E os nordestinos, esses fortes sertanejos. A autenticidade de tais manifestações foi decisiva para o ânimo geral.
O Gigante somos nós.


Deixo aqui uma listinha nada exaustiva de exigências:

É preciso entender a fundo o fenômeno evangélico.


É preciso uma mídia independente.

É preciso depender menos da Meta.

É preciso ter encontros ao vivo com abraços, tintins, risos e rosas. Bares esperança! Fazer a roda da economia girar.


É preciso retomar o poder de compra da população. Ao mesmo tempo, é preciso não se deixar seduzir pelo consumismo, para não se endividar.


É preciso fazer justiça. Julgar o caso Ana Clara o quanto antes.

É preciso saber o que o Vorcaro ainda esconde. E o Willer Thomas, hein?

É preciso cuidar da Amazônia, pois dá para ser economicamente grande sem destruir tudo.

É preciso respeitar os povos originários, os quilombolas, os LGBTQI+. Deixe-os viver. Digo isto porque as gracinhas já estavam no ar. Se de boas intenções o inferno está cheio, de más intenções a terra está muito mais.


É preciso mapear as terras raras, os minerais críticos. Professores de geografia nos ensinem, por favor. Onde estão nossas reservas de minerais críticos? Só na Bahia? Onde mais? Eu gosto de ouvir os bons professores, mais do que dar um “gugô”.


É preciso investir em educação ainda mais. Uma educação laica, pública de altíssima qualidade. Para tanto, nenhum centavo a menos para a educação. Isto quer dizer que o professor, essa eterna tartaruga, precisa ser mais valorizado. Valorizado e consultado. Formado e informado. Por mais condições de trabalho e de estudo. É preciso rechaçar a opinião de quem nada sabe de educação ou que acha que falar de educação é como falar com o pessoal de um SAC.


Finalmente é preciso amor e humor. Alegria é a prova dos nove.

P.S.
Comecei a escrever este texto ontem. Fiquei sabendo hoje à tarde (27/10) que muito provavelmente Flavio Bolsonaro se mandou para os States via Argentina. Talvez tenha sobrado urgência e faltado malícia a Alexandre de Moraes, o implacável.
Seja como for, que a gente tenha a exata noção do mal que impedimos. Quatro anos de muita luta nos esperam. Que a gente tenha saúde.”

Sobre o autor

Radicado em Nilópolis, município do Rio de Janeiro, Cícero César Sotero Batista é doutor, mestre e especialista na área da literatura. É casado com Layla Warrak, com quem tem dois filhos, o Francisco e a Cecília, a quem se dedica em tempo integral e um pouco mais, se algum dos dois cair da/e cama.

Ou seja, Cícero César é professor, escritor e pai de dois, não exatamente nessa ordem. É autor do petisco Cartas para Francisco: uma cartografia dos afetos (Kazuá, 2019),  Circo (de Bolso) Gilci e está preparando um livro sobre as letras e as crônicas que Aldir Blanc produziu na década de 1970.

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