“Medley”, adolescência com sensibilidade e qualidade

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Por Celso Sabadin, compartilhado de seu Blog

Em algum momento da História, foi estabelecido que filmes sobre adolescentes teriam de ser, necessariamente, meio bobos. Certamente este conceito  – totalmente equivocado – foi criado e popularizado por uma enxurrada de comédias produzidas nos anos 1980 e 90 nos EUA (sempre eles) protagonizadas por adolescentes acéfalos. A estreia de “Medley” nesta quinta, 29/10 em cinemas, vem mais uma vez comprovar o contrário. Filmes com e sobre adolescentes não só podem como devem tratar seu público e seus personagens com respeito, humanidade e sensibilidade.




“Medley” acompanha a jovem Lola (Mel Maia), uma excelente nadadora que reina absoluta nas piscinas em que compete, mas que não consegue ser notada pela sua própria mãe, Catarina (Mariana Lima), cuja única preocupação é apenas o seu trabalho de professora. Indignada e enfurecida com a indiferença da mãe diante de sua mais recente medalha de ouro, Lola decide impulsivamente passar uma temporada na casa do tio, no interior. Porém, chegando na pequena Salto Bonito, a garota logo percebe que o tio saiu em viagem, mas deixou sua casa à disposição da sobrinha. A solidão do interior e a interação com outras pessoas da cidadezinha formam o cenário ideal para que Lola consiga resolver suas questões de abandono e busque o tão almejado equilíbrio de suas emoções.   

Com roteiro de Keka Reis, baseado em seu livro “Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar”, o longa se destaca pela segurança e sensibilidade da direção de Ana Luiza Azevedo, que consegue realizar com muita eficiência a difícil tarefa de gerar credibilidade e empatia aos personagens que constrói. Apoiada por ótimas interpretações de todo o carismático elenco, dos protagonistas aos figurantes, a diretora desenvolve a história com leveza e sutileza, sem cair nas armadilhas fáceis e maniqueístas que o gênero muitas vezes arma para o cineasta mais incauto. O resultado é um filme indicado não apenas para os jovens, como por toda a família.  

O elenco também traz Guthierry Sotero  (no papel de Gabriel), André Ramiro (Érico), Alana Cabral (Linda), Leona Cavalli (Marina, a prefeita), e Nathália Gonçalves (Andréa), entre outros.

Quem dirige

Diretora e roteirista, Ana Luiza Azevedo nasceu em Porto Alegre e é formada em Artes Plásticas pela UFRGS. Sócia da Casa de Cinema de Porto Alegre, iniciou a carreira como assistente de direção de cineastas como Jorge Furtado, Carlos Gerbase e Carlos Reichenbach.

Estreou na direção com o curta Barbosa (1988). 3 Minutos foi selecionado para a competição de curtas do Festival de Cannes, e seu primeiro longa, Antes que o Mundo Acabe, baseado no livro de Marcelo Carneiro da Cunha, conquistou 17 prêmios, cinco deles de Melhor Filme.

Também dirigiu e roteirizou Aos Olhos de Ernesto, premiado como Melhor Filme na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e codirigiu com Jorge Furtado o documentário Quem é Primavera das Neves. Na televisão, seus trabalhos incluem Doce de Mãe, Mulher de Fases, Só se for por Amor e Dr4g0n.

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