Pesquisas sobre as eleições: muito cedo para a tese de fadiga de material

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Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem Blogado

Muita gente no campo progressista anda assustada com o empate técnico entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro nas mais recentes pesquisas eleitorais. E realmente há motivos para a inquietação. A principal é que a vitória da extrema-direita arruinaria o Brasil talvez para sempre. Mas calma, muito calma. Os principais levantamentos continuam apontando favoritismo do candidato petista e, mais do que tudo, Lula ainda não começou sua campanha.




Uma das teses daqueles surpresos com o equilíbrio atual aponta para uma eventual fadiga de material do governo perante o eleitorado, que estaria buscando novidades agora. Tese apressada e provavelmente errada. Parece que muita gente no nosso campo estava vivendo em outro mundo, vislumbrando um passeio eleitoral em outubro próximo.

A infeliz realidade, palpável há muito tempo, é que o Brasil é um País dividido irremediavelmente entre petistas e antipetistas.

Essa batalha de metade x metade já pode ser confirmada pela vitória muito apertada de Lula sobre o oponente genocida em 2022, apesar de a disputa ser feita entre o melhor presidente da República de nossa História e um desqualificado meliante que com sua prole suga os cofres públicos há quase 40 anos.

O antipetismo, personificado obviamente no alvo Lula, jamais reconhecerá os feitos de um governo muito bom em termos de crescimento econômico, controle de inflação, emprego recorde, diminuição da miséria etc. É ódio de classe, simplesmente.

Em condições normais, Lula venceria com tranquilidade no primeiro turno, ainda mais contra um adversário tão desqualificado moralmente como o representante de turno do clã Bolsonaro. Mas vivemos longe da normalidade política.

O lado bom desse “aperto” momentâneo nas pesquisas é que talvez isso sirva para que alguns saiam da bolha de redes sociais e percebam que que a batalha será dura, muito dura. Mais uma vez, aliás.

O jogo será pesado e desonesto. A elite econômica na sua grande maioria prefere um corrupto de rachadinhas de família especialista em comprar imóveis com dinheiro vivo a um presidente da República com preocupações sociais.

Os meios de comunicação, que em grande parte não apoiaram o genocida em 2022, provavelmente estarão com o genocida que usa talher para comer, como Flávio Bolsonaro.

A extrema-direita tentará empurrar para o colo de Lula um escândalo seu como estamos atestando no episódio do Banco Master, em que ladrões do Centrão agiam como larápios que sempre foram. Enfim, será guerra, não poesia.

É inegável, para quem enxerga a realidade, que temos problemas práticos na caminhada. Talvez o principal seja a construção de palanques fortes em alguns Estados decisivos do País.

O principal deles, São Paulo, já está resolvido com a candidatura de Fernando Haddad e o encaminhamento de uma chapa forte ao Senado. Mas permanece a questão irresolvida na crucial Minas e a dúvida eterna chamada Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

Haddad tem condições de repetir seu bom desempenho de 2022 em São Paulo. Embora perdendo, forçou um segundo turno e garantiu a Lula um palanque sólido no maior colégio eleitoral do País. Mas é necessária uma solução satisfatória principalmente em Minas.

A reserva de votos no Nordeste não está assegurada ainda. O PT enfrenta campanhas duras em duas cidadelas indispensáveis, Bahia e Ceará. Há tempo para sair do sufoco, a força do lulismo é enraizada nos dois Estados.

Em último caso, talvez seja preciso recorrer às maiores lideranças do partido em Bahia e Ceará, como Haddad fez em São Paulo ao aceitar uma campanha sabidamente bem mais difícil.

Enfim, há e haverá pedras no caminho, mas nada que não possa e deverá ser superado no fim. A surpresa que alguns enxergam nas pesquisas não é surpresa para quem acompanha a Política com os olhos e a cabeça na realidade.

Ao governo e aos governistas cabe não atravessar a rua em busca de casca de banana. A recomendação não é bobagem ou obviedade. Tampouco salto alto. Aos militantes e simpatizantes do campo popular, a tarefa é a de lembrar sempre, agora ainda mais, que eleição no Brasil depois do surgimento de Lula é guerra.

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