Rene

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MIREM-SE NO EXEMPLO DA ALEMANHA

A Alemanha carrega uma advertência que o mundo não pode ignorar.




O nazismo chegou ao poder pelas urnas, destruiu a democracia por dentro e produziu uma das maiores tragédias da história.

O que aconteceu depois deixou milhões de mortos e uma lição que parecia definitiva. Quando o extremismo político conquista o Estado, pode fazer muito mais do que promete durante uma campanha.

Neste domingo, 20, Berlim deu uma resposta importante. A AfD, partido de extrema direita, cresceu e chegou a 16,3% dos votos, mas terminou em terceiro lugar. A esquerda venceu com 25,7%, mais que o dobro do resultado anterior.

Na capital alemã a extrema direita foi rejeitada como força majoritária. A mensagem das urnas foi clara: ainda existem sociedades que reagem aos avanços do autoritarismo.

Duas semanas antes o mesmo partido de extrema direita havia alcançado quase 44% na Saxônia-Anhalt. Como se observa, a extrema direita não desapareceu. Ao contrário, está crescendo.

Mas os alemães mostraram que esse crescimento pode encontrar resistência quando o eleitor percebe o tamanho do risco. É aqui que a eleição alemã interessa ao Brasil.

A extrema direita brasileira, representada pela candidatura de Flávio Bolsonaro, não precisa chegar ao poder anunciando que pretende desmontar a democracia.

Promete combater privilégios, acabar com a corrupção, reduzir o tamanho do Estado, restaurar o Poder Judiciário, recuperar a segurança, enfim, “colocar ordem na casa”.

Chega pelo voto, dentro das regras e utilizando justamente as instituições que depois poderá tentar enfraquecer.

Uma vez no governo, o alcance das mudanças pode ser muito maior do que aquilo que aparece no discurso eleitoral.

Redução de políticas sociais, retirada ou flexibilização de direitos trabalhistas, privatizações, mudanças na estrutura do Estado e enfraquecimento de mecanismos de controle não são apenas palavras de campanha. São medidas que podem alterar concretamente a vida de milhões de pessoas.

Por isso que o resultado de Berlim merece atenção. Berlim não impediu o crescimento da AfD, mas impediu que ela se transformasse na principal força política.

Foi uma resposta eleitoral antes que o avanço pudesse ser convertido em poder maior. É assim que funciona a democracia.

No Brasil, o alerta é ainda mais necessário. A extrema direita já mostrou que pretende disputar novamente o poder e trabalha para transformar seu projeto em algo permanente.

O perigo não está apenas em quem ganha uma eleição. Está no que pode acontecer depois dela.

Democracias raramente desaparecem de um dia para o outro. Elas podem continuar tendo eleições, Congresso, tribunais, imprensa, e mesmo assim ir perdendo seus freios, seus direitos e suas garantias.

Berlim disse não. O Brasil deveria entender o recado antes que seja tarde demais.

reneruschel

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