O povo brasileiro foi às urnas no dia 25 e escolheu um projeto para o Brasil. Um projeto de fortalecimento das políticas públicas, da educação, da saúde, do trabalho e do trabalhador. A mensagem foi clara. A sociedade quer um país que amplie oportunidades, reduza desigualdades e não deixe ninguém para trás.
Lula venceu seu quarto mandato com 51,79% a 48,21% dos votos válidos — uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. Pesquisa pós-eleitoral do Datafolha mostra que, entre os eleitores de Lula, 48% apontaram “defender a classe trabalhadora e as causas sociais” como principal motivo do voto, e 22% citaram a aprovação de gestões anteriores e o legado deixado.
Os gritos das comemorações na Paulista ainda ecoavam quando o mercado financeiro voltou a pressionar Lula pela adoção de medidas de ajuste fiscal. Já na segunda-feira (26/10), o Ibovespa despencou quase 14% e o dólar registrou a maior alta diária em 27 anos. A pauta que eles tentam impor, no entanto, já foi derrotada nas urnas.
O orçamento público é a expressão das escolhas sobre o país que queremos construir e sobre como distribuir seus recursos e oportunidades. Quando o discurso do equilíbrio fiscal serve para justificar cortes em direitos sociais enquanto preserva privilégios, é preciso perguntar: a quem esse ajuste serve?
Nos dois primeiros mandatos de Lula, a redução da trajetória da dívida conviveu com a expansão das despesas sociais. Responsabilidade fiscal não é sinônimo de retirada de direitos, de precarização dos serviços públicos nem de concentração de renda.
Cortar o financiamento de áreas como educação e saúde compromete o atendimento à população e limita as possibilidades de futuro de toda uma geração. O mesmo vale para a Previdência Social, cuja vinculação ao salário mínimo garante proteção de renda a milhões de pessoas e movimenta o comércio, sustenta economias locais e retorna em arrecadação para União, estados e municípios. E vale também para a assistência social, a segurança alimentar, a transferência de renda e as políticas de proteção à infância e à juventude. São investimentos sociais.
Não é razoável transferir o peso do ajuste para trabalhadores, aposentados e para a população que mais depende dos serviços públicos, sem enfrentar os privilégios que persistem no sistema tributário brasileiro.
Lula foi eleito pelo povo, não pelo sistema financeiro. A pressão do rentismo, derrotado no dia 25, não pode se sobrepor ao programa eleito nas urnas.
Cabe ao governo traduzir nas decisões econômicas o que o Brasil escolheu: uma política fiscal que garanta direitos, enfrente privilégios e distribua a riqueza. E cabe ao povo, nas ruas, pressionar para que sua pauta não seja sequestrada. É hora de transformar a presença eleitoral em mobilização cotidiana. Afinal, nas sociedades democráticas, como é a brasileira, por vontade soberana reafirmada dia 25 de outubro, governa o projeto democrático vencedor e não o derrotado – escandalosamente apoiado e financiado por aqueles que querem ditar as regras, sem nenhuma legitimidade para fazê-lo.







