Trump pode perder força no Congresso, e governo Lula vê oportunidade para melhorar relações com os EUA

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Por Alemão Monteiro, compartilhado de Portal 3 de Julho

Planalto avalia que uma mudança no equilíbrio de forças do Congresso americano poderá limitar iniciativas de Donald Trump – Foto: Reprodução/ IA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha com atenção a movimentação política nos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Embora o Palácio do Planalto evite demonstrar preferência pública por qualquer partido, integrantes da área diplomática brasileira consideram que uma eventual vitória dos democratas poderá modificar o cenário internacional e estabelecer novos limites ao poder político do presidente americano, Donald Trump.




Nos bastidores do governo brasileiro, a expectativa é de que o Partido Democrata tenha condições de recuperar a maioria na Câmara dos Representantes e ampliar sua competitividade no Senado. O desgaste enfrentado por Trump, associado às consequências da ofensiva militar contra o Irã e ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos, é apontado como um dos fatores que podem favorecer a oposição. Uma mudança no comando do Legislativo americano seria vista em Brasília como uma oportunidade para fortalecer mecanismos de fiscalização sobre as decisões da Casa Branca.

Apesar das perspectivas favoráveis aos democratas, assessores presidenciais reconhecem que uma alteração na composição do Congresso não significaria necessariamente uma transformação imediata da política externa americana. Trump continuaria exercendo a Presidência e mantendo influência sobre setores estratégicos de seu governo. Por isso, a diplomacia brasileira trabalha com a possibilidade de enfrentar novas pressões políticas e econômicas, independentemente do resultado eleitoral.

Ao mesmo tempo, o governo Lula procura preservar os canais institucionais de comunicação com Washington. A aproximação entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante um encontro diplomático ligado ao G20, é apresentada como um sinal de disposição para reduzir divergências. A estratégia brasileira consiste em defender os interesses nacionais sem transformar as diferenças ideológicas entre os dois presidentes em obstáculos permanentes às relações comerciais e diplomáticas.

Outro elemento que mantém a relação bilateral sob atenção é a postura de Trump diante da reeleição de Lula. Segundo o relato que circula nos bastidores diplomáticos, o presidente americano ainda não teria apresentado uma manifestação formal de reconhecimento ao resultado brasileiro, enquanto lideranças democratas demonstraram apoio ao processo eleitoral. A situação ganhou maior sensibilidade com a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, após sua saída do Brasil em meio a investigações judiciais, episódio que acrescentou um novo componente político às relações entre os dois governos.

ia brasileira. A avaliação é de que um Congresso americano com maior presença democrata poderá dificultar medidas unilaterais de Trump e favorecer negociações internacionais mais equilibradas. Para Lula, o desafio será manter uma relação de Estado com os Estados Unidos, preservar a autonomia do Brasil e ampliar sua capacidade de articulação na América Latina, independentemente de quem conquiste a maioria no Legislativo americano.

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