Por Pedro Zambarda de Araujo, compartilhado de DCM
Tarcísio e sua dirigente educacional Roselaine Batalha Silva
“Um líder não é alguém a quem foi dada uma coroa, sinto informar. Por isso é estimulante ler a biografia, mesmo dos maus. Salazar na Espanha (sic), Mussolini na Itália, Hitler e o ‘Mein Kampf!
‘Mein Kampf’, ‘Minha Vida’ de Hitler, é tão estimulante que, se eu tirar o nome, ele consegue convencer países e jovens e nós até hoje. Por isso foi proibida a sua reprodução. Mas a gente sabe qual era o caminho de Hitler.
Ele era um líder excepcional e ninguém pode negar! Mas não foi dada uma coroa pra ele. Mas a quem foi dada a responsabilidade de sobressair (sic) o melhor que há nos outros. (…)
Em acredito do que a gente faz. Por isso a gente está aqui. Quem acredita e trabalha pode ficar aqui. Posso gostar de você, mas o que eu preciso é do trabalho. O trabalho de acolhimento que tive em uma escola de ensino fundamental vocês não têm noção. (…) Eu não quero discurso, eu não quero justificativa: eu quero um líder“.
As declarações acima, obtidas com exclusividade em um vídeo pelo DCM, são da servidora Roselaine Batalha Silva em uma reunião fechada com educadores no dia 12 de agosto.
Roselaine é coordenadora da Unidade Regional de Ensino da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Trabalha na unidade de Mogi da Cruzes, sendo responsável por 62 escolas. De acordo com as fontes consultadas pelo DCM, 32 diretores testemunharam a reunião digital.
Graduada em licenciatura em História e em Pedagogia em Guarulhos, a servidora do governo Tarcísio de Freitas é mestranda na área de Educação na UNICID, com especialização em Gestão da Rede Pública pela USP.
Ela deu os exemplos de ditadores como lideranças e ainda errou o país onde António Salazar cometeu seus crimes: foi em Portugal, onde governou de 1932 a 1968, não na Espanha, que teve outro tirano, Francisco Franco.
Hitler e Mussolini conduziram seus países a uma guerra mundial que deixou entre 70 e 85 milhões de mortos. Na Alemanha, foram 8 milhões e na Itália, 457.000.
Na reunião, Roselaine citou também Jack Welch, falecido executivo que foi CEO por 20 anos da General Electric, a GE, entre 1981 até 2001.
Morto em 2020, Welch é um mito do capitalismo. Apoiou ferozmente Donald Trump durante seu primeiro mandato. O presidente americano o homenageou nas redes sociais quando ele moreu: “Não havia líder empresarial como o ‘Neutron Jack’. Foi meu amigo e meu apoiador. Fizemos negócios maravilhosos juntos. Não será esquecido.”
O apelido “Neutron Jack” fazia referência à bomba de nêutrons, numa comparação com a estratégia assassina de Welch: preservar a estrutura da empresa enquanto cortava custos, especialmente de trabalhadores.
Welch adotou uma política de demissões sistemáticas. Os 10% dos funcionários com pior desempenho eram dispensados, assim como os 10% de executivos com os resultados mais fracos. Durante sua primeira década como CEO da GE, ele eliminou cerca de um terço da força de trabalho da companhia.
Virou guru. Em palestras, entrevistas e artigos, defendia uma gestão orientada por desempenho, competitividade e resultados. No campo econômico, era crítico do excesso de regulamentações e de impostos para ricos.
“Welch estava muito focado em ganhar o máximo de dinheiro possível. Essa foi uma das razões pelas quais Wall Street o amava”, disse seu biógrafo William Cohan.
Em 2025, a servidora esteve em cerimônias Prêmio Excelência Educacional e Alfabetiza Juntos SP pelo governo Tarcísio em cidades como Mogi das Cruzes. No começo do ano, ela esteve no Fórum Mogiano LGBTI+ para o combate à lgtbfobia nas escolas.
O DCM enviou perguntas para a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo e para o Secretário da Educação do governo Tarcísio. A reportagem será atualizada com o posicionamento do governo do estado de São Paulo.
O DCM recebeu a seguinte nota da Secretária da Educação:
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informa que determinou a cessação da função de dirigente exercida pela servidora. Também foi instaurada apuração para verificar os fatos e as circunstâncias relacionadas às declarações mencionadas.
A Seduc-SP reforça que não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública do Estado de São Paulo e que a declaração não representa, em hipótese alguma, o posicionamento da pasta.







