Por Claudio Lovato Filho, jornalista e escritor
Quando me pedem para fazer listas de preferências, seja em que área for, fico preocupado. Aliás, preocupado não seria bem o termo. Eu fico paranoico. O receio de esquecer de alguém que jamais poderia ter sido esquecido, a ordem de precedência, a limitação da quantidade de escolhidos – tudo isso pode virar uma tortura. A polêmica não me preocupa, porque listas foram feitas para gerar exatamente isso, mas quando topo fazê-las, eu me sinto, digamos assim, cruzando o Rubicão; é coisa que não tem volta.
Vejam só. Quando me perguntam, por exemplo, quais são os meus cinco melhores guitarristas de todos os tempos, o meu “top five” – e em tempos de Rock In Rio esses pedidos de lista costumam rolar –, a tensão imediatamente toma conta deste velho roqueiro. Sempre digo que preciso listar, primeiramente, aqueles que não podem ficar de fora de jeito nenhum. E entrego a lista.
Neil Young
Jimi Hendrix
Jimmy Page
David Gilmour
Eric Clapton
Mark Knopfler
B.B. King
Buddy Guy
Peter Townshend
Keith Richards
Ron Wood
Mick Taylor
Pepeu Gomes
Stephen Stills
Carlos Santana
J.J. Cale
Edgard Scandurra
Otis Taylor
Peter Frampton
Lindsay Buckingham
Pronto. Estes são os meus “cinco” melhores guitarristas de todos os tempos (e já estou pedindo perdão por ter me esquecido de alguém de quem eu jamais poderia ter me esquecido).
Vamos em frente.
Em tempos de feiras literárias, como a bienal do livro recentemente ocorrida aqui em Brasília, as conversas, volta e meia, culminam no pedido de listagem de escritores preferidos. Com o coração batendo descompassado, revelo os meus “cinco” prediletos (é uma mania terrível esse tal “top five”).
Gabriel García Márquez
Ernest Hemingway
Rubem Fonseca
Leonardo Padura
Eduardo Sacheri
Albert Camus
Franz Kafka
Machado de Assis
Graciliano Ramos
Aldyr Garcia Schlee
Eduardo Galeano
Margareth Atwood
Paul Auster
Clarice Lispector
Cormac McCarthy
Erico Verissimo
Herman Melville
Norman Mailer
Jorge Luis Borges
Dalton Trevisan
Perdão, perdão, perdão aos que deixei de fora! Crime inafiançável, eu sei.
E haveria, claro, outras listas para mencionar (canções preferidas, shows, filmes… ) Isso falando apenas do campo da arte e da cultura, porque se fôssemos abordar, por exemplo, a seara do esporte, especificamente a do futebol, bom, então a situação assumiria ares realmente dramáticos para este autor de histórias boleiras que ora vos escreve.
Existe, contudo, uma lista que eu teria muita facilidade em preencher. É a lista de coisas que quero ver continuarem ocorrendo no Brasil. Aqui está o meu “top five”.
Combate à fome
Geração de emprego
Combate ao endividamento das famílias
Desenvolvimento econômico com preservação ambiental
Investimento em saúde pública
Investimento em educação pública
Investimento em moradia popular
Investimento em tecnologia
Apoio à cultura
Apoio ao esporte
Combate ao crime organizado
Avanços na justiça tributária
Ampliação do protagonismo internacional do país
Defesa da soberania nacional
Garantia das liberdades individuais
Respeito aos povos originários
Apoio aos micro e pequenos empreendedores
Apoio aos pequenos produtores rurais
Crescimento da indústria
Aumento da transparência na administração pública
A forma de ver realizado esse conjunto de desejos listados é uma só: vencer o fascismo e o atraso de novo.
Com Lula.
Lula IV.
Pelo Brasil.







