Guilherme Arantes

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São muito recorrentes algumas críticas que fazem à minha (à nossa) preocupação em perseverar buscando um sonho impossível de beleza estética em novas canções…
Fazer o quê , se nasci para isso?
E quem disse que o fundamento da arte é a sua serventia? Que o suprassumo da Arte é a sua utilidade prática?
O que me diz respeito se uma dancinha do tiktok faz sucesso entre os camundonguinhos cinzentos do metrô de Londres?


Os argumentos mais fortes dessas visões seriam a falta de interesse do grande público, o descaso mesmo de uma esmagadora maioria, a pulverização de um mercado atulhado de lançamentos voláteis numa era de tiktoks, a sindrome de total desatenção zappeadora, a preferência absoluta de uma evidente tendência etarista em favor das nossas nostalgias em catálogos já consagrados, mas principalmente a total inutilidade prática de novos conteúdos, num mundo digital reprocessador, replicador, completamente hostil, onde a indústria fonográfica lançadora e proponente teria sucumbido ao curso inexorável da desvalorização imposta pelas redes, e pior agora, com o advento sombrio das IAs.





Sim, é tudo verdade !
É mesmo uma Era desvairada, em que tudo o que é algebricamente relevante conspira contra os velhos sonhos de Utopias ultrapassadas.


E acaba ganhando de goleada: por enquanto.
O problema da humanidade é esse “por enquanto”, já que todas as nossas visões humanas padecem da mesma finitude de nossas precárias vidas corpóreas, nosso inescapável prazo de validade, cujas limitações temporais estabelecem o “grid” de qualquer raciocínio lógico …


Mas existe um erro fatal, estrutural, nessas inexorabilidades tácitas desta “Nova Era”.
São os velhos problemas irresolvidos e intrinsecamente colapsadores dessa mesma “Nova Era” inescapável.


Nem preciso aqui lembrar os desatinos do capitalismo feroz, do monetarismo, do tsunami de lixo inexorável produzido pela humanidade, o apagão energético na escalada insana dos Data Centers, fora o risco iminente de que todo esse alicerce eletrônico chamado Humanidade Moderna venha a ruir fragorosamente diante de um mais que provável Apocalipse de Efeito Carrington que nos afundará em uma súbita e tenebrosa Idade Média.
A Arte sobreviverá.


O pensamento sobreviverá.
Porque no Cosmos (até a Ciência já coloca essa possibilidade) tudo foi, é e será… para sempre.

E é o mais ledo engano pensar que tudo o que a gente faz seria para surtir efeito ainda no prazo vigente de nossa pequena vida corpórea …

só sei que nosso espírito voa .

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