Reportagem de Malu Gaspar reacende ofensiva contra Alexandre de Moraes e expõe disputas políticas às vésperas do Natal
Por Oscar de Barros, compartilhado de Pensa Piauí
Foto: Malu Gaspar e Alexandre de Moraes )Reprodução e IA)
O QUE ACONTECEU
A polêmica política da semana tem como epicentro uma reportagem assinada por Malu Gaspar, publicada no jornal O Globo, que atribui ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, contatos com o presidente do Banco Central para tratar de interesses ligados ao Banco Master. O texto, divulgado às vésperas do Natal, serviu de combustível imediato para a extrema direita, que passou a defender a abertura de CPI e a retomada de pedidos de impeachment contra o magistrado.
A matéria de Malu Gaspar baseia-se exclusivamente em fontes anônimas — seis, segundo a própria colunista — e não apresenta documentos, registros oficiais ou provas materiais que sustentem as acusações. Ainda assim, o conteúdo ganhou grande repercussão e foi rapidamente incorporado ao discurso de parlamentares e influenciadores alinhados ao bolsonarismo, que tratam a reportagem como fato consumado.
Nas redes sociais, a atuação da jornalista passou a ser alvo de críticas contundentes. Parte dos questionamentos recai sobre o método de apuração adotado, descrito como semelhante ao utilizado durante a Operação Lava Jato: vazamentos em “off”, ausência de identificação das fontes e construção de narrativas baseadas mais em insinuações do que em evidências verificáveis. Críticos também apontam silêncio seletivo da colunista diante de outros casos envolvendo figuras da direita, levantando suspeitas sobre critérios editoriais e intencionalidade política. Sobre os R$ 400 mil encontrados em casa do deputado Sóstenes Cavalcante nenhum comentário foi feito por Malu Gaspar.
Aonda nas redes sociais, a reação não foi homogênea nem majoritariamente alinhada à ofensiva contra o Supremo. Ao contrário, um movimento orgânico de apoio ao ministro Alexandre de Moraes ganhou força ao longo das últimas horas, impulsionado por usuários, influenciadores e comunicadores progressistas que passaram a contestar a narrativa construída a partir da reportagem. A mobilização digital, marcada pela hashtag e pela campanha “EU TÔ COM XANDÃO”, apresenta Moraes como símbolo da resistência institucional contra tentativas de desestabilização democrática e reação autoritária
Diante da repercussão, Alexandre de Moraes divulgou nota oficial afirmando que os encontros com dirigentes do sistema financeiro tiveram caráter estritamente técnico e institucional. Segundo o ministro, as reuniões ocorreram no contexto da aplicação da Lei Magnitsky e trataram exclusivamente das consequências dessa legislação internacional sobre a movimentação bancária, sem qualquer relação com operações específicas ou favorecimento a instituições financeiras.
Moraes informou que participou de reuniões com representantes do Banco Central, Banco do Brasil, Itaú, Febraban, BTG e Santander, todas voltadas à análise de impactos sistêmicos da lei. O ministro negou qualquer interferência em processos administrativos ou tentativa de pressão sobre órgãos reguladores.
Mesmo assim, a reportagem de Malu Gaspar segue sendo utilizada como peça central de uma ofensiva política mais ampla contra o STF. Para setores da mídia independente, o episódio repete padrões históricos já conhecidos: denúncias frágeis amplificadas por grandes veículos, ambiente de histeria política e tentativas de deslegitimação institucional em momentos-chave do calendário eleitoral.
Veja o que diz o jornalista Kiko Junqueira do Diário do Centro do Mundo:
“A história ensina, mas não tem alunos, dizia Gramsci. Não estamos entrando em 2026, mas em 2013. Os personagens são os mesmos: Malu Gaspar, Merval Pereira, Fernando Gabeira, o grupo Globo, enfim. Atrás deles, o cordão do golpe na Folha, Estadão etc.
Merval confessou diversas vezes seu inconformismo com a ‘mudança de entendimento’ do STF sobre a prisão de Lula. O porta-voz da Globo pediu na segunda (22) o impeachment de Alexandre de Moraes por causa de uma matéria da colega Malu a respeito de supostas conversas do ministro com Galípolo a respeito do Banco Master. O escritório da mulher de Moraes advoga para a empresa de Vorcaro.
Um dia depois, foi secundado por Joel Pinheiro da Fonseca, da Folha, também falando em impeachment (aquele que defende que pobres vendam seus órgãos para ganhar uns trocados).
No fim desse túnel está a libertação de Bolsonaro e, nos sonhos molhados da turma, a queda de Lula. Um quarto mandato para o Barba é demais. Precisamos de uma terceira via. Ainda que alimentemos o bolsonarismo.
O ministro Alexandre de Moraes, sem dúvida, precisa se explicar sobre a relação do escritório de sua mulher com o Banco Master. Essa promiscuidade, em si, é uma vergonha. Mas não é ilegal.
Que se apure. O que está em jogo, porém, não é o fato específico. O que realmente está acontecendo é uma ofensiva contra o STF. O mau cheiro engloba a histeria coletiva — inclusive de parte de ‘setores progressistas’ — em torno de um ‘acordão’ do Congresso, do Executivo e do Supremo para aprovar o PL da Dosimetria. Tudo, novamente, baseado em especulação, em fontes em off e na eventual criminalização da política.”
E, agora, veja o que diz Moisés Mendes, jornalista, em seu blog?
Golpistas ainda impunes, principalmente os empresários financiadores do fascismo, estão em festa com o cerco dos jornalões a Alexandre de Moraes.
É uma estratégia bem articulada de Globo, Folha e Estadão. Todos estão com a mesma pauta. É como se os três funcionassem numa mesma redação e com o mesmo comando.
Hoje o cerco é ao filho de Lula e à mulher de Moraes. Flávio Dino, o caçador das máfias das emendas, que se prepare.
Vinte e nove golpistas, incluindo generais, foram julgados, e muitos já estão presos. Moraes enfrentou o fascismo interno, defendeu as eleições e dobrou os golpistas.
Depois, enfrentou o fascismo de Trump, que cercou a família. Ele e Lula venceram as primeiras batalhas.
As corporações de mídia, a velha direita, o que resta da elite empresarial, milicianos, grileiros e outros agregados estão dizendo: agora chega.
O novo fascismo reage com a ajuda da velha grande mídia, como aconteceu em 54, em 55, em 61, em 64, em 2005, em 2016 e em 2018. As gangues se reaglutinam.
Moraes é o alvo mais visível no momento, porque a podridão se alastra para além dos limites da política, e é preciso pará-lo e impedir o quarto mandato de Lula.
Pegar Moraes é também pegar Lula. A direita quer voltar a respirar. É preciso salvar pelo menos Tarcísio de Freitas, porque os outros não conseguem enfrentar Lula.
Se não é possível vencer Lula agora, que o Supremo seja contido na figura que o representa. Segurem o STF e parem Moraes já para que Lula seja parado em 2026.
Flávio Dino sabe o que o espera. O clima é de 2016. O projeto hoje é salvar Tarcísio a qualquer custo. Os jornalões querem ser tutelados pelo homem de Bolsonaro.







