Por René Ruschel, jornalista
Donald Trump voltou à presidência dos EUA com a sutileza de um touro em loja de cristais e quem acabou ferido foi o bolsonarismo.
Ao taxar em 50% as exportações brasileiras, o ídolo da extrema direita verde-amarelo acertou um belo sorvetaço na testa de seus fãs tropicais.
A conta chegou rápido. A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira, 17, mostra que Lula venceria todos os adversários no primeiro e no segundo turno em 2026.
Por enquanto o estrago é mais político do que econômico. Mas o simbolismo é devastador. Trump, que deveria ser o farol ideológico da extrema direita brasileira virou um iceberg desgovernado, sem rumo.
A trapalhada ganhou a digital do deputado Eduardo Bolsonaro, uma espécie de embaixador informal do trumpismo nos trópicos.
Foi ele quem levou o pai a apostar todas as fichas na reeleição do americano e agora tenta justificar as exigências absurdas para que o STF alivie a barra do ex-capitão, como se o Judiciário brasileiro fosse sucursal da Casa Branca.
A reação do empresariado, sempre apolítico até o lucro começar a cair, também foi imediata. Muitos pularam da canoa bolsonarista antes que virasse submarino.
Tarcísio de Freitas, até então visto como herdeiro natural da direita tratou de esconder o boné “Make America Great Again”, que em tradução livre quer dizer “tornar a América grande outra vez”.
A trupe está em pânico. O incêndio é grande e os bombeiros políticos tentam apagar as chamas. Mas há casos em que não há mangueira que resolva.
O bolsonarismo apostou tudo em Trump e agora paga caro.
A direita brasileira, que sempre quis copiar o trumpismo, descobriu da pior forma que a importação de líderes também tem tarifa.
E, nesse caso, a fatura veio com juros, multa e humilhação.







